A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 04/01/2021
A Constituição Federal de 1988 garante o direito a educação para todos os cidadãos. Entretanto, essa benesse constitucional não é cumprida em sua totalidade, visto que a literacia familiar, importante meio de desenvolvimento pedagógico, muitas vezes, não é praticada pelas camadas mais pobres do Brasil, corroborando para o aumento da desigualdade na aprendizagem. Dessa forma, é necessário observar as causas que fazem dessa problemática uma realidade nacional.
A princípio, familias em situação de vulnerabilidade econômica não conseguem incentivar seus filhos no processo educacional. Na série, Anne de Green Gables, a personagem Anne é proibida pela mãe de contar histórias, pois a genitora queria que sua filha adolescente focasse apenas em trabalhar. Em um cenário análogo, no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a evasão escolar é oito vezes maior entre jovens pobres, pois a familia, frequentemente, solicitam a ajuda desses cidadãos para gerar renda. Consequentemene, a literacia é inibida pela pobreza.
Ademais, o Poder Público negligencia a educação. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é gestor dos interesses coletivos. Indo de encontro ao pensamento do filósofo, a educação, direito fundamental do indivíduo, veio sofrendo cortes que somam mais de 56% nos ultimos quatro anos, como apontou o jornal A Folha de São Paulo. Como consequência dessa queda, os projetos de desenvolvimento, como o de literacia familiar, sofrem declínio orçamentário corroborando para o aumento na taxa de atraso no processo ensino-aprendizagem de jovens brasileiros.
Portanto, a literacia parental no Brasil é marcada por empecilhos. Dessa forma, é necessário que Poder Público, por meio do Ministério da Mulher, familia e Direitos Humanos maximize as prerrogativas de assistência à jovens em situação de pobreza, aumentando o número beneficiários e valor dos auxílios sociais, como o bolsa família e bolsa escola a fim de garantir a permanência dos cidadãos na escola e a segurança econômica de suas famílias. Além disso, é necessário que o Governo Federal destine um maior percentual do produto interno bruto ao Ministério da Educação para assegurar a promoção e pesquisa de implementação igualitária da literacia familiar. Talvez, dessa maneira, seja possível garantir que personagens como Anne só existam na ficcção, além da validação da máxima de Hobbes.