A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A obra cinematográfica “Capitão Fantástico” retrata a vida de uma família que reside em uma floresta. Consequentemente, o patriarca se responsabiliza pela educação dos filhos e estabelece a ocorrência constante de debates acerca de produções literárias. Fora da ficção, há entraves para a disseminação da importância da literacia familiar no Brasil. Isso é ocasionado pela lacuna familiar e a desigualdade presente na sociedade. Assim, sua discussão é fundamental.
Convém ressaltar, a princípio, que a escassa participação de pais e responsáveis na educação infantil compromete o desenvolvimento literário do indivíduo. Dessa forma, devido a um corpo social altamente competitivo e exigente no âmbito trabalhista, muitos genitores focam no seu aprimoramento para atender às expectativas do mercado. À vista disso, desde a Revolução Industrial, o convívio familiar foi modificado. Desse modo, a indústria estabelecia horas prolongadas de trabalho ao operário e debilitava sua estrutura domiciliar. Hodiernamente, isso se manteve e, como consequência, contribui para a ausência da parentela no acompanhamento educacional da criança e gera uma significativa lacuna que prejudica seu desenvolvimento.
Outrossim, conforme o sociólogo norte-americano John Rawls, em seu livro “Uma Teoria da Justiça”, a exclusão de um determinado grupo ocorre pela disparidade de circunstâncias para o seu desenvolvimento. Dessarte, a população menos abastada tem seu aperfeiçoamento pedagógico afetado pela falta de acesso à ferramentas que possibilitariam a literacia familiar. Nesse aspecto, materiais disponíveis na internet não alcançam a todos. Por conseguinte, a leitura precária no ambiente caseiro reflete, negativamente, no futuro educativo e laboral do sujeito. Dessa maneira, sua ascensão social é inviabilizada em razão da aprendizagem deficitária.
Logo, torna-se evidente a imprescindibilidade de medidas para amenizar o quadro atual. Destarte, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas governamentais, intituir nas escolas e centros culturais, oficinas literárias. Elas precisam ser ministradas por professores especialistas na área da literatura infantil com a participação de pais, responsáveis e filhos, semanalmente. Isso necessita ser estipulado para que haja a discussão das obras a fim de estimular o senso crítico dos leitores e incentivar a prática da literacia familiar. Com isso, espera-se que discussões sobre obras da literatura, como ocorreu em “Capitão Fantástico”, sejam mais frequentes no território nacional.