A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 04/01/2021
“Alice no país das maravilhas” conta a história da menina Alice, que entediada com as leituras da irmã, acaba caindo na toca de um coelho e é transportada para um universo mágico. Sob essa lógica de ficção, percebe-se que a realidade tratada no filme não se afasta muito do atual contexto, visto que a falta de estímulo às crianças, desde cedo, às tornam indiferentes ao processo de leitura. Nesse contexto, é válido discutir a importância da introdução da literatura desde os primeiros anos de vida da criança, bem como as dificuldades de inserir tal hábito na era digital atual.
De início, é importante entender o Brasil como um país que culturalmente não considera a leitura como uma prática diária. Essa conjuntura pode ser respaldada pela pesquisa do instituto Pró-livro, em que a média anual de livro por habitante brasileiro é de 5, enquanto que na Finlândia essa quantidade passa para 14. Percebe-se, portanto, a sistematicidade do processo de leitura brasileiro, pois por, históricamente, não haver incentivo dos mais velhos, os mais jovens não adquirem o hábito e se tornam indiferentes ao que poderia proporcionar a esses o aumento do vocabulário, a compreensão de texto, é a ortografia.
Convém pontuar, ainda, que a leitura tem grande influência no desenvolvimento cognitivo da criança, além de mudar a forma como está vê o mundo. Tomando como base os preceitos empíricos estudados na epistemologia, percebe-se que desde Locke até Focault, o indivíduo nasce como uma tábula rasa, na qual o conhecimento é produzido pela experiência, ou seja, a inserção do hábito é mais fácil na vida infantil. Porém, hoje, tem-se a tecnologia como principal concorrente dos livros, pois, muitas vezes, as crianças -por viverem na era digital, principalmente no Brasil- escolhem passar o tempo em jogos e redes sociais em detrimento dos livros. Confirma-se isso com dados da pesquisa da BBC Brasil, em que apenas 20% das crianças escolhem os livros como lazer.
Uma mudança real para esse problemático cenário pode e deve ser feita por meio de ações efetivas da escola em conjunto com a família -por serem as instituições mais próximas à criança, e por terem o papel de formá-la socialmente e intelectualmente- devem estimular a leitura. Isso pode ser feito através de atividades lúdicas que envolvam os temas abordados no livro para incitar a curiosidade dos pequenos nas obras escritas. Para as verbas necessárias à tal atividade, deve ser inserido no escopo curricular da escola os livros que serão utilizados para que o Ministério da Educação -por ter o papel de cuidar da área de educação brasileira- faça o repasse. Além disso, é essencial o papel da família nesse processo para ensinar às crianças a prioridade dos livros em relação a aparelhos eletrônicos, determinando um tempo curto para estes.