A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 05/01/2021

O artigo 205 da Constituição Federal de 1988 afirma que, a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa.Nessa perspectiva, a criação do costume da leitura desde a infância é fundamental para a formação integral de um sujeito.Todavia, o pouco incentivo familiar e a atribuição única à escola para a concretização desse hábito são obstáculos para alcançar a literacia familiar.

A princípio, é lícito postular que o baixo estímulo por parte da família impede a efetivação da formação de leitores.Nesse panorama, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a instituição familiar é responsável pelo processo de socialização primária, etapa a qual ocorre a interiorização de valores e dogmas da comunidade onde vive, bem como o contato com a linguagem.Sob esse viés, essa instituição ao fomentar o contato com livros no início da vida é fator determinante para que posteriormente torne-se um hábito, beneficiando outros aspetos do desenvolvimento humano, como por exemplo o aumento do vocabulário e a criatividade.Entretando, no Brasil pós moderno, é notório que certos núcleos não exercem a responsabilidade atribuída a eles por Durkheim, configurando como um empecilho para a formação de leitores.É imperativo, logo,ações para enfrentar essa conjuntura.

Ademais, é atribuído a escola o papel exclusivo como responsável da consolidação da leitura diária.Indubitavelmente, é essencial o encargo por parte dessa instituição na promoção de práticas de desenvolvimento cognitivo do indivíduo, tal como a leitura.Contudo, conforme é retratado no documentário nacional “Carregadoras de Sonhos”, determinados estabelecimentos de ensino, majoritariamente nas regiões norte e nordeste do país, não contêm estrutura física e materiais escolares para o estímulo dessa prática.Desse modo, a sociedade ao atribuir essa função quase que de maneira única a essa instituição, em alguns casos não alcançam o retorno esperado, em vista à falha pública em distribuir os recursos disponíveis para a capacitação dos alunos.É indubitável, portanto, a atuação de outras estruturas sociais para a consolidação do contato com textos.

Depreende-se, portanto,a necessidade de ações para atenuar a problemática.Para tanto,com o objetivo de que as famílias participem ativamente do processo de socialização primária,o Ministério da Educação,em parceria com o Ministério da Mulher,Família e Direitos Humanos,deve promover campanhas em veículos de comunicação,como televisão,revistas e jornais - retratando os benefícios da  literacia familiar para a criança e para a consolidação de laços parentais -,por meio de verbas cedidas do Banco Central para que esses órgãos possam elaborar essa ação.Dessa maneira,o direito constitucional previsto no artigo 205 será amplamente difundido no tecido social do país.