A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 05/01/2021
Na Idade Antiga, o ensino literário era dominado pela igreja e pela nobreza. Com o passar do tempo, as universidades surgiram e a sociedade percebeu a indispensabilidade da comunicação e dos seus benefícios como forma de, segundo o economista Ludwig Mises, maximizar a felicidade com conquistas e com desenvolvimento. Sob essa mesma concepção, notou-se a necessidade de, no Brasil, debater a importância da literacia no escopo familiar. Isso posto, impera analisar as vantagens de tal projeto e os seus desafios na população brasileira.
De fato, ampliar a educação dos filhos é mais do que uma questão individual, é também uma contribuição no crescimento do espectro social, coletivo. De acordo com a ONU, os países com os maiores PIB’s têm, na sua estrutura, uma sólida educação básica que, como ideia central, passa pelo papel da família e do seu trabalho “corpo a corpo” com a criança. Isto é, a construção do ser humano caminha por uma literacia completa através de atividades lúdicas, do auxílio nas questões familiares, da interação no lazer, nos passeios, nas brincadeiras, da ampliação do diálogo, dentre outros. Assim, os pais/responsáveis têm, desde cedo, valor considerável na constituição dos futuros jovens que, por tabela, terão efeito positivo no PIB do país.
Entretanto, nem todas as famílias encontram espaço na rotina para acompanhar a formação dos pequenos, já que o dia a dia é usado para os trabalhos e para a manutenção da alimentação do lar. Dentro desse contexto, o livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, trata da situação de miserabilidade de uma família em que a mãe, para sobrevivência de todos, cata produtos recicláveis. Logo, está claro que ela, assim como muitos outros provedores, não tem condições de atuar ativamente na educação dos filhos, pois esse progresso transita, consoante o geógrafo Milton Santos, pela efetiva democracia de todos os direitos. Noutras palavras, a literacia não encontrará espaço na rotina de uma família que precisa lutar diariamente pela comida. Dessa maneira, é preciso tirar do papel muitos dos benefícios alcançados e manter fora dele os novos.
Portanto, é determinante democratizar a dignidade humana concomitante à literacia familiar. Para tal, o Ministério da Educação deve manter o incentivo desse novo projeto e ampliar os sistemas como EJA e cursos profissionalizantes através de parcerias com escolas e universidades particulares, a fim de melhorar o futuro das crianças e a situação atual de muitos pais. Igualmente, as ONG’s poderiam, por meio das escolas e dos seus alunos, criar projetos – como teatro de rua gratuito – com o intuito de servirem como atividade cultural entre pais e filhos. Naturalmente, o maior país da América do Sul e suas famílias colherão frutos vantajosos com tais medidas.