A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 06/01/2021

O clássico inglês “Anne with an ‘E’” apresenta a importância da leitura no processo de desenvolvimento cognitivo, psicossocial e criativo da criança, sendo ela ferramenta de transformação coletiva. Contudo, distanciando-se a ficção, o estímulo a essa revolucionária prática ainda é escasso no Brasil comtemporâneo, fato que coloca em pauta a impotância da literacia familiar nacionalmente. Com isso, cabe analisar a estrutura socioeducativa que possibilita a perpetuação da problemática, além da observação dos seus impactos na tecitura social.

É relevante abordar, prioritariamente, que a Constituição Cidadã de 1988 ressalta como prioridade pátria a garantia dos direitos das crianças e adolescentes, comprometendo-se com a promoção de um ambiente propício para o desenvolvimento desses indivíduos. Contudo, diante da ineficácia estatal para garantia de diretrizes constitucinais, o sistema educacional brasileiro mostra-se incapaz de criar um espaço em que a literacia familiar seja difusa, tendo em vista que, segundo a Unicef, o país é o 7 ° com maior número de adultos analfabetos do globo. Como consequência disso, gera-se uma cadeia de limitações que interferem em possíveis progressos na problemática — podando, assim, a potência, elucidada por Paulo Freire, de transformação e emancipação social contida em ferramentas educacionais.

Paralelo a isso, o filósofo Jürgen Habermas alega que os limites linguísticos do ser coletivo são, si-multaneamente, os limites do sua realidade. Sob ótica habersiana, o contato com os conhecimentos de circundam a literácia são fundamentais para formação humana e possibilitam o surgimento de sujeitos capazes de reflexão e transformação do coletivo. Tal fato retoma a urgência pela promoção de políticas de carácter emergencial que democratizem o acesso a livros — embora, em 2020, o Governo Federal propôs a maior taxação sob obras literárias — e estímulem a escrita, já que, como destacado pela filosofia kantiana, sob as tragetórias socioeducativas do indivíduo recaem os males civilizatórios.

Portanto, cabe a ação de agentes governamentais para a remediação do quadro problemático. As- sim, o Ministério da Educação, em ação intersetorial com as Secretarias Municipais de Educação, deve promover, nas Universidades Públicas do país, o desenvolvimento de pesquisas quali-quantitativas capazes de mapear a realidade da literacia familiar no país, atentando-se a indicadores de sociais, para que possa ser elaborada um rede de estímulo a leitura e escrita nas comunidades pátrias. Isso posto, a rede deve ser capaz de promover — acomplando-se a programas como o “Conta para mim” e o Educação de Jovens e Adultos (EJA) e “Mais Educação” — minicursos, palestras formativas e a destribuição de materias necessários para o fomento da literacia no ambiente familiar no Brasil.