A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 06/01/2021

De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, as gerações mais velhas são responsáveis por educar as mais novas e, por isso, a família, como instituição de primário contato com os indivíduos, é de extrema importância para o desenvolvimento das crianças. Entretanto, a realidade brasileira em questão é alarmante no que diz respeito a ausência de incentivos literários no seio familiar. Nesse sentido, tal problemática tem suas raízes principalmente na constante demanda dos adultos por rendimento excessivo e prejudica os menores em diversos campos de conhecimento e relações interpessoais.

Frente à situação atual, cabe destacar a busca incessante por melhor desempenho como causa relevante para o quadro em voga de formação de leitores com incentivo dos progenitores no Brasil. Segundo o filósofo sul coreano Byung-Chul Han, as pessoas procuram atingir o máximo de produtividade, o que, por vezes, resulta em otimizar tempo em outras áreas da vida, como amizade e família, para utilizá-lo com mais trabalho. Por consequência disso, diversos adultos não têm o hábito de ler e, portanto, são responsáveis por encorajar seus filhos a desvalorizar tal prática. Desse modo, nota-se que a ausência de estímulo e de participação ativa dos pais e cuidadores na atividade de leitura das crianças é uma ameaça a boa formação e ao desenvolvimento infantil.

Sob esse viés, percebe-se a influência significativa da literacia no âmbito familiar para o desempenho não só escolar, mas também psicossocial dos menores de idade. Ler na primeira e na segunda infâncias é essencial para a formação dos princípios de um indivíduo, para o desenvolvimento de empatia e criatividade e para a expansão de vocabulário, bem como o entendimento pleno de textos. Ademais, vê-se na sociedade brasileira a valorização e, pois, a necessidade dessas características nos meio de trabalho considerados de maior prestígio. Assim, fica evidente a incoerência dos mais velhos ao reconhecer o valor da leitura no processo seletivo de uma empresa, por exemplo, e, no entanto, não contribuir para o nascimento dessa prática com os próprios filhos.

Dessa meneira, cabe ao poder público promover mudanças para amenizar os efeitos do impasse. O governo federal, por meio de parceria com o Ministério da Educação - órgão responsável por todo o sistema educacional brasileiro - deve criar e exibir propagandas que incentivem os adultos a lerem com as crianças em casa. Além disso, recomenda-se que a mesma instituição estatal prepare os professores de escolas públicas e privadas para ensinarem aos alunos a relevância dos livros para o futuro deles. Essas ações têm como finalidade assegurar a difusão da cultura da literacia familiar e, consequentemente, garantir que a população siga o pensamento sociológico durkheimiano.