A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 07/01/2021
Segundo o educador Paulo Freire, em sua obra ‘‘Pedagogia da autonomia’’, a educação além de não se limitar ao âmbito escolar, é a principal ferramenta de superação das opressões socioeconômicas no país. Nesse contexto, o Brasil enfrenta hoje os problemas relacionados a literacia familiar como obstáculos a serem superados. Diante disso, é preciso discutir sobre a falta de hábitos de leitura dos próprios pais, muitas vezes, associada à visão errônea que atribui todo o poder formador e educador unicamente à escola e aos professores, bem como a importância da leitura para o corpo social.
Em primeiro plano, cabe discutir acerca da falta de estímulos á prática leitora por parte do núcleo familiar. Consoante dados do Ministério da Educação, 35% dos indivíduos com ensino superior no Brasil são considerados analfabetos funcionais. Nesse sentido, deve-se ressaltar que o analfabetismo funcional é fruto não só de uma alfabetização deficitária, mas acima de tudo da carência de atividades leitoras, o que comprova que o incentivo à leitura não pode partir de uma estrutura familiar que não implementa essa habilidade. Somado a isso, observa-se a ideia equivocada de que apenas a escola e os docentes são responsáveis pela formação do público leitor, isso é fruto de um ensino tradicional e conteudista, o qual considera a escola como único espaço educativo, perspectiva limitada que ainda é absorvida e aceita pela sociedade.
Em segundo plano, deve-se destacar os benefícios acadêmicos e sociointeracionais gerados pelo ato de ler. Entre os elementos que contribuem para o desempenho acadêmico dos jovens destaca-se a formação de habilidades técnicas, como a aquisição de um amplo vocabulário e também de ideias mais criativas. Este pensamento vai de acordo com a teoria das Múltiplas Inteligências, do psicólogo Howard Gardner, a qual afirmava a abrangência de áreas ligadas ás habilidades cognitivas, que incluem também as sociointerativas. Assim, a leitura contribui para o desenvolvimento do senso crítico, construindo não apenas estudantes, mas sim indivíduos capazes de superar as dificuldades socioeconômicas do país.
É necessário, portanto, que se incentive a construção de leitores entre os adultos e idosos brasileiros, seja pelo papel de modelo comportamental, seja pela capacitação para a literacia familiar. Isso deve ser promovido pelo Ministério da Educação, a partir de oficinas de leitura públicas, por meio da comunicação constante, em palestras e debates no ambiente escolar- haja vista a escola ser a máquina socializadora do Estado- as quais devem ser conduzidas por profissionais da área de linguagens e de humanas. Desse modo, será mostrado uma perspectiva mais global do processo pedagógico e a educação será libertadora, assim como definida por Paulo Freire.