A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 07/01/2021

A Constituição Federal de 1988, conhecida como ‘‘Constituição cidadã’’, prevê que a educação é uma responsabilidade compartilhada entre Estado, família e sociedade. Desse modo, torna-se necessário a efetivação da literacia familiar, uma vez que os pais exercem papel essencial na formação educacional dos filhos. Todavia, é visível a existência de impecilhos que devem ser discutidos a fim de executar essa prática, como a quantidade de tempo disponível aos responsáveis para exerceram-na e a insegurança impeditiva dos mesmos, muitas vezes, devido à baixa escolarização.

De fato, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família é a instituição mais importante no desenvolvimento primário das crianças. No entanto, muitos pais, apesar de saberem a importância da literacia familiar tanto para a formação educacional da criança quanto para o fortalecimento do vínculo familiar, se sentem incapacitados de exercerem tal papel. Posto que, de acordo com o IBGE, o Brasil é um país formado por 11,3 milhões de analfabetos, inúmeros genitores não dispuseram de um ordenamento didático qualificado para a transmissão de conhecimento.

Além disso, com o advento da Revolução Industrial e com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a participação dos pais no processo de leitura dos filhos diminuiu gradativamente. O trabalho tornou-se o principal fator de nobilitação do homem, deixando o saber pedagógico em segundo plano. É necessário que a família se conscientize acerca das consequências que uma boa formação educacional traz, não somente para a própria criança como também para as pessoas que a cercam, tendo em conta o Príncipio de Responsabilidade criado pelo filósofo Hans Jonas, o qual exemplifica a necessidade de agir com a consciência de que tudo que é feito reverbera na sociedade.

Fica claro, portanto, a necessidade do investimento na implatação da literacia familiar. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação garantir o acesso literário desde a infância através de um programa social que vise a distribuição gratuita de livros a fim de que todos possam desenvolver sua bagagem cultural e senso crítico. Faz-se necessário, também, que juntamente a esse programa, exista um investimento voltado aos pais com o objetivo de incentivação à leitura e capacitação dos mesmos para a perpetuação informacional. Somente assim, com o interesse criado genuínamente através do contato com a literatura, os pais serão capazes de incentivarem os filhos através do próprio exemplo.