A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Na obra ‘‘Brasil: uma biografia’’, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, apontam as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre essas estruturas sociais, destaca-se a ‘’tortuosa construção da cidadania’’. Embora o país possua uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se prevê não se concretiza. Tal fato é evidenciado no âmbito da importância da literacia familiar, tendo em vista que, apesar da educação ser um direito constitucional concernente aos brasileiros, isto ocorre, ora pela desigualdade social que ainda se perpetua em estruturas modernas, ora pela falha influência tecnológica.
Em primeira análise, é evidente que a herança ideológica da educação, como um recurso destinado às elites, conservou-se na coletividade e perpetuou a exclusão das classes inferiores. Sob essa óptica, é inegável que as disparidades socioeconômicas acentuam a barreira existente entre uma parte da população detentora de privilégios como, por exemplo, o hábito literário, e um extenso corpo social que contém os indivíduos que encontram-se marginalizados na sociedade, com um protagonismo forte em sua subcidadania, reprimidos em ocupações laborais que garantem a sobrevivência. Desse modo, tornando-se indubitável que a leitura não será privilegiada neste ambiente e com uma concepção instituída da educação delegada apenas às camadas sociais altas, o acesso à leitura adquire um caráter elitista, contribuindo para a exclusão do restante da população.
Ademais, é válido destacar que a displicência das ferramentas tecnológicas como, por exemplo, a mídia, potencializa essa problemática de um sistema público de educação falho em circundar as esferas sociais. Desde a revolução industrial e a globalização, a modernidade é marcada por uma sociedade marcada pela expansão tecnológica, com a tecnologia representando suma importância. No entanto, segundo o estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Grã-Betanha, a fixação das crianças pelo uso de aparatos tecnológicos, como os smartphones e computadores, tem feito com que as crianças em idade escolar leiam cada vez menos.
Impede, pois, que o direito à dignidade humana seja, de fato, assegurada na prática, como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesse contexto, urge que o Ministério da Educação e Cultura crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem a importância de um ambiente familiar fomentado pela democratização da leitura e alfabetização, propulsor para o desenvolvimento de um país. Ademais, o MEC, de acordo com empresas tecnológicas, deve desenvolver aplicativos que estimulem a formação das crianças no anseio pela leitura e assegurando, assim, as condições socioeducacionais necessárias para um país forte em bases democráticas.