A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A obra digital ‘‘Parentalidade em foco’’, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, aborda o papel da família como propulsora para o desenvolvimento das crianças. Assim como retratado no livro, é indiscutível que a literacia familiar é o reconhecimento de que os pais são os primeiros professores dos seus filhos, contribuindo para o desenvolvimento das crianças por meio de práticas simples como, por exemplo, a importante leitura dialogada. No entanto, é uma prática que não atinge a sua totalidade, ora pela desigualdade social que ainda se perpetua em estruturas modernas, ora pela má influência tecnológica.

Em primeira análise, é evidente que a herança ideológica da educação, como um recurso destinado às elites, conservou-se na coletividade e perpetuou a exclusão das classes inferiores. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, um filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção, aumentando a subordinação. Sob essa ótica, constata-se que o discurso hegemônico inserido na sociedade fortifica um pensamento fundamentalmente europeu em que a educação e, consequentemente, suas estruturas pedagógicas como, por exemplo, a leitura, é restringido aos indivíduos marginalizados na sociedade. Desse modo, com uma concepção elitista, o acesso à prática literária torna-se inviável, contribuindo para a exclusão dos indivíduos que precisam priorizar ocupações laborais que garantem a sobrevivência em um país falhos nas suas bases democráticas.

Ademais, é válido destacar que a displicência das ferramentas tecnológicas como, por exemplo, os smartphones, potencializa essa problemática de um sistema público de educação falho em circundar as esferas sociais. Em outras palavras, segundo um estudo realizado pelo jornal britânico Telegraph, crianças estão cada vez mais imersas nesta era digital e, com isso, apresentam riscos para o desenvolvimento social e, como efeito, apontam problemas de saúde. Dessa maneira, é importante salientar que a disponibilidade não é valorizada, tornando-se ínfima ou superficial.

Impende, pois, que o direito à dignidade humana seja, de fato, assegurada na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesse contexto, urge que o Ministério da Educação e Cultura crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias que detalhem a importância de um ambiente familiar fomentado pela democratização do acesso à literacia e educação, propulsor para o desenvolvimento de um país forte em bases igualitárias. Ademais, urge que o MEC, de acordo com políticas com empresas tecnológicas, deve desenvolver aplicativos que estimulem a formação das crianças no anseio pela leitura e assegurando, assim, as condições socioeducacionais necessárias.

Na obra ‘‘Capitães de areia’’, o escritor Jorge Amado aponta as idiossincrasias excludentes da sociedade brasileira. Dentre essas estruturas sociais, destaca-se a marginalização de indivíduos, principalmente jovens, em consequência de uma educação falha e excludente em um país que possui uma das legislações mais avançadas do mundo. No entanto, assim como retratado na obra ficcional, o livro apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro: