A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 07/01/2021
De acordo com a Constituição federal, no artigo 205, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. Portanto, a literacia familiar, conjunto de práticas visando desenvolver a leitura, escrita e senso crítico na infância, é um direito e dever da sociedade brasileira. Todavia, essas práticas não são aplicadas por todo o país, principalmente pela falta de acessibilidade para famílias menos privilegiadas.
Inicialmente, é necessário entender a importância da família no desenvolvimento intelectual de uma criança. De acordo com John Locke, filósofo inglês, o ser humano nasce como uma folha em branco, livre de ideias e pensamentos, aprendendo de acordo com o meio, logo, a influência familiar nos hábitos de leitura e escrita possibilita um desenvolvimento intelectual e cognitivo acelerado ao jovem estudante. Ademais, como defendido pelo filósofo Immanuel Kant, “o homem não é nada além do que a educação faz dele”, ou seja, o incentivo à educação desde a infância é essencial para a formação de cidadãos.
Entretanto, apesar de sua importância, a literatura e escrita familiar tem sido pouco praticada no Brasil. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais, a grande maioria deles vivendo na margem da pobreza, indicando uma dificuldade de se construir um ambiente educacional em muitas casas brasileiras, afinal, muitos pais não possuem o conhecimento ou tempo diário necessário para ensinar seus filhos, perpetuando um analfabetismo estrutural pela falta de inclusão nessas práticas.
Destarte, é papel do Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, incentivar as práticas de literacia familiar em núcleos familiares desprivilegiados pelo Brasil, investindo na confecção de material educacional inclusivo para analfabetos, que junto a atividades práticas, coletivas e gratuitas pelo sistema público de ensino garantirá uma maior adoção da literacia familiar por famílias vulneráveis, garantindo assim que o artigo 205 da Constituição é uma realidade para mais crianças brasileiras.