A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 08/01/2021

A leitura, em um mundo ideal, seria indispensável, nos lares, para manutenção do senso crítico e da criatividade. Todavia, a literacia familiar vai de encontro à realidade brasileira. Tal fato, deve-se, não só ao uso exarcebado da tecnologia, mas também a falta de acesso a livros.

De início, vale ressaltar o abuso de celulares, televisores e videogames no seio familiar. Sob esse respeito, Ruy Bradbury - expoente escritor norte-americano - articula que sua principal obra, a distopia “Fahrenheit 451”, é sobre como a televisão destrói o interesse pela leitura. A partir disso, observe-se, crescente no Brasil, o grave problema descrito pelo autor, tendo em vista que, atualmente, as famílias substituem os livros por aparelhos eletrônicos. Desse modo, é importante reavaliar o uso descontrolado das novas tecnologias no leito parental.

Além disso, outro fator que impede a literacia familiar é não ter acesso a livros. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob extensão desse raciocínio, o alto preço dos livros ocasionou sua elitização, consequentemente, marginalizou parte da população, com baixa renda, que não consegue adquiri-los. Logo, é preciso alterar esse cenário a fim de democratizar a leitura entre as famílias.

Portanto, urge combater as causas que impedem a literacia familiar. Faz necessário, pois, que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas estaduais e minucipais, criem uma forma de incentivar a leitura nas famílias, por meio da formação de clubes de leitura nas escolas, de periodicidade mensal e que contasse com a presença dos pais, para o debate a respeito dos livros escolhidos pelos alunos e seus acompanhantes na biblioteca da institução. Ademais, cabe aos pais reduzirem o tempo nos aparelhos eletrônicos, com o propósito de fomentar a literacia no âmbito familiar. Assim, a situação descrita por Bradbury será combatida.