A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 10/01/2021
No filme, “A menina que roubava livros”, a protagonista é alfabetizada por seu pai e desde então, afeiçoa-se pela leitura. No entanto, a falta de recursos de sua família impossibilita a aquisição de novos livros, então, para sustentar seu novo hobbie ela recorre a um ato imoral, sugerido no título da obra. Longe das telas, essa é uma realidade presente, visto que o papel da família como primeiro agente educador exerce função fundamental para a alfabetização e incentivo à leitura. Porém, o alto custo necessário para manter o hábito torna-se um empecilho às famílias pobres.
Primeiramente, destaca-se a relevância que o ambiente familiar exerce no período de alfabetização. O diretor da Secretaria de Alfabetização, William da Cunha, afirma que estimular a leitura no período da infância tem impacto direto no desenvolvimento cognitivo. Assim, observa-se a importância da atuação do Estado em promover a prática da literacia familiar.
Ademais, nota-se que apesar da relevância atribuída a esse hábito, para as famílias de baixa renda, é difícil mantê-lo. O filósofo Immanuel Kant é um grande defensor da transformação promovida pela educação, e em uma de suas citações aborda que: “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Logo, privar os núcleos familiares de maior vulnerabilidade do acesso à melhores ferramentas auxiliadoras no processo educacional é, também, marginalizá-las.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o quadro atual. Para incentivar a literacia familiar, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) amplie a atuação do projeto, já existente, “Conta pra Mim”, por meio de intensas divulgações na mídia televisiva, com o objetivo de atingir a esfera mais carente da sociedade. O projeto deverá contar com o apoio de criadores de conteúdo, voltados para o público infanto-juvenil, a fim de cativar o interesse das crianças pela leitura. Somente assim será possível haver êxito na consolidação da prática de literacia familiar, então, efetivando as transformações invocadas por Kant.