A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Duas das obras principais do intelectual Paulo Freire - Pedagogia do oprimido e pedagogia da autonomia - afirmam que a educação não se limita ao âmbito escolar e que ela é a principal forma de superação das opressões socioeconômicas no país. Contudo, em tempos hodiernos, as obras se distanciam da realidade brasileira, tendo em vista os desafios da literacia familiar. Nesse ínterim, esse imbróglio é chancelado seja pela displicência do Poder Público, seja pela negligência parental.

Em primazia, convém ressaltar a desídia governamental como impulsionadora do caos. Imerso nessa logística, de acordo com a Constituição Federal de 1988, no Artigo 205 preconiza que a educação, direito de todos e dever do Estado e da Família. Entretanto, observa-se um vilipêndio dos entes estatais, no que tange a insuficiência de recursos voltados para programas de leituras, uma vez que ler ainda é restrito a uma minoria que possui condições, sendo assim, uma parcela da população não tem acesso a esse direito preconizado na Carta Magna, o que impossibilita à formação de pessoas letradas e com habilidades sociointeracionais, e esses fatores facilita a empregabilidade. Dessa forma, a inércia estatal potencializa, por consequência, a desigualdade social.

Faz-se mister, ainda, salientar o despreparo da família como catalisador do problema. À luz do exposto, vale pontuar o pensamento de Pitágoras, o qual diz " eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens “. Sob esse prisma, é perceptível que a má formação socioeducacional contribui, substancialmente, para a construção de um corpo coletivo fragilizado, à título de exemplo com poucas pessoas com o hábito de ler, visto que não são estimuladas desde a infância à criarem essa prática, ocasionado, muitas vezes, seja pela falta de capacitação dos pais, seja pela falta de tempo dos mesmos. Nesse sentido, a falha dos responsáveis torna inviável, consequentemente, o desenvolvimento intelectual e social dos infantosjuvenis e acaba prejudicando também eles.

Infere-se, portanto, que o Estado deve fomentar o investimento em políticas, que visem a destinação de recursos para programas de leituras, por intermédio de ONG´s - Ogranizações não Governamentais - , com a finalidade de aumentar o acesso a leituras para as classes mais baixas e, desse modo, possibilitar a formação de cidadãos letrados e com uma boa capacidade comunicativa. Ademais, cabe à Escola adotar atividades de leituras, e à Família incentivarem os juvenis a lerem, mediante atividades lúdicas, debates, ler estórias para eles, que tenham o objetivos das crianças desenvolverem o hábito de ler, com o fito de amenizar os danos causados pela falta de literacia familiar. Só assim, as obras de Paulo Freire, torna-se-á mais próxima da realidade brasileira.