A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Constituição Cidadã de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito à educação a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado inteiramente na prática quando se observa a questão da literacia familiar - conjunto de práticas e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita vivenciadas entre pais/cuidadores e filhos - em esfera nacional. Diante dessa perspectiva, convém analisar as suas contribuições para a evolução social da criança, assim como a insuficiência de políticas públicas para a expansão dessa atividade.

Em primeira análise, pode-se destacar que a literacia familiar é vantajosa não só para o desenvolvimento individual, mas também para o social. Nesse sentido, o principal benefício ao indivíduo é o cognitivo – a exemplo disso, observa-se no filme “Mãos talentosas” a verídica história de Ben Carson, um menino pobre, negro e com dificuldades de aprendizagem que rompeu seus obstáculos com o auxílio da leitura, incentivado por sua mãe, tornando-se um grande cirurgião. No âmbito social, nota-se que as crianças, quando incentivadas em seu seio familiar a desenvolver suas habilidades com a linguagem oral e escrita, são capazes de exercer melhor sua cidadania, pois desenvolvem mais facilmente a maioridade Kantiana, isto é, são pessoas com capacidade reflexiva autônoma e independente.

Ademais, percebe-se que o baixo investimento governamental, no que tange à realização de melhorias no setor educacional de jovens e adultos, é quase inercial. Diante disso, apesar da criação de projetos de incentivo à leitura domiciliar, de acordo com a Gazeta do Povo, verifica-se uma situação distante da estabelecida na Carta Magna, pois observa-se a falta de medidas públicas eficientes, seja pela publicidade míngua, seja pela permanência do sistema escolar deficitário. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre com sua função de assegurar aos cidadãos os direitos indispensáveis, como a educação, o que notadamente ocorre no país.

Depreende-se, portanto, a necessidade de ações públicas que promovam a literacia familiar no Brasil.  Desse modo, o Poder Executivo – por meio de debates com o Ministério da Educação – deve realizar uma reforma no sistema educacional brasileiro, com a presença de estudos de cientistas sociais e especialistas, a fim de aumentar a participação dos pais no desenvolvimento literário das crianças. Assim, espera-se garantir uma sociedade mais esclarecida, em que o Estado desempenhe corretamente seu ‘Contrato Social”, tal como afirma John Locke.