A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/01/2021

“O Brasil é um país do futuro”, enunciou Stefan Zweig, historiógrafo autríaco, em uma de suas primárias vindas à nação. No entanto, quando se observa a desvalorização da literacia familiar em território nacional, identifica-se que o referido presságio não saiu da teoria. Nesse sentido, ressalta-se que as razões que contribuem para a manutenção desse infortúnio, no corpo social brasileiro, está, intimamente, ligado à ideia de que cabe somente à escola estimular o hábito da leitura, bem como o acesso penoso, que famílias de baixa renda, possuem a literatura.

Consoante à Teoria Habitus, elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Logo, tal tese exemplifica, acertadamente, o ciclo de ações que promove a falta de incentivo familiar a leitura, uma vez que, no ambiente familiar brasileiro, vigora o conceito de que cabe, somente, ao corpo escolar promover o encatamento dos estudantes à leitura. Ademais, o cenário de falta de práticas familiares, que incitam desde cedo o costume da leitura, em lares socialmente vulneráveis,  encontra-se no dificultoso acesso desses a materiais literários.

Embora, sob a égide dos filósofos contratualistas, o Estado foi criado para assegurar os direitos dos homens, e, eliminar condições de desigualdade, para, assim, promover a coesão social, esse vislubre, tal qual, o de Zweig não se realizou plenamente. Isto é, estudantes economicamente abastados, possuem maior facilidade no acesso à livros e materias didáticos. Em suma, apesar da promulgação de programas, como o Conta pra Mim, iniciativa do Ministério da Educação, que conta com livros digitais, voltado à famílias com pouco poder aquisitivo, ainda existem lapsos para a total efetivação da proposta, visto que, nem todas as famílias brasileiras possuem acesso à internet.

Isto posto, depreende-se a necessidade da implementação de palestras, com pedagogas, organizadas pelas Secretárias de Educação municipais, em escolas públicas e privadas, acerca da importância da literacia familiar no desenvolvimento dos estudantes, visando findar a ideia de que compete apenas aos professores fomentar o costume a leitura. Além do mais, o Ministério da Educação deve procurar parceiras, com empresas que prestam serviços de acesso à internet,  para oferecer pacotes de internet mais acessíveis a famílias participantes do Conta pra Mim, para, dessa forma, disponibilizar todos os meios cruciais para o funcionamento absoluto do programa. Em tal caso, a literacia familiar será mais efetiva no Brasil.