A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/01/2021
O filme ‘’A Menina que Roubava Livros’’ retrata a história da jovem Liesel, introduzida no âmbito literário através do estímulo e auxílio do pai e, a partir disso, as obras se tornam o refúgio dela diante do cenário violento da Alemanha Nazista. Saindo da ficção, percebe-se, de maneira análoga, a relevância da literacia familiar, uma vez que tal ato proporciona uma interação entre pais e filhos, além de garantir a construção intelectual do indivíduo. Nesse contexto, é válido entender a importância dessa prática, bem como as barreiras que impedem sua efetivação na conjuntura brasileira.
Em primeira análise, cabe ressaltar a capacidade comunicativa e a autonomia dos cidadãos como fruto da leitura iniciada desde a infância. Tomando como base o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, para quem a família é fundamental em uma sociedade por ser responsável pelas primeiras socializações do indivíduo, percebe-se que o corpo familiar determina a formação dos valores e práticas dos filhos, haja vista que o contato com conteúdos textuais, realizado com frequência no ambiente domiciliar, permite a potencialização dos estímulos intelectuais. Diante disso, entende-se a importância do exercício leitor no processo educacional.
Observa-se, por outro lado, que o período de convívio doméstico se tornou escasso em função da alta exigência produtiva estabelecida. A partir dos estudos do economista Celso Furtado - para quem o subdesenvolvimento é uma estratégia para manutenção da exploração - nota-se que os aspectos pragmáticos da atualidade, como o trabalho, são valorizados em relação aos elementos não formais do cotidiano. Em vista disso, denota-se que essa supervalorização da vida profissional distancia, na maioria das vezes, pais e filhos, reduzindo a execução de práticas conjuntas, a exemplo da literacia. Tal questão pode ser observada nos dados do “Gazeta do Povo”, os quais mostram que países que encontram-se nas melhores posições no ranking de educação mundial, como Singapura, são os que mais investem na educação da primeira infância no seio familiar.
A fim de atenuar esse impasse, é necessário que medidas sejam tomadas. Urge-se que o Ministério da Educação (MEC) crie, em parceria com a Grande Mídia, uma plataforma digital gratuita composta por um acervo de contos, audiolivros e livros, como o “Conta pra Mim”, voltados para dinamização da literacia familiar. Isso deve ser feito para que essa interação se adeque ao curto tempo disponível no cotidiano com o objetivo de motivar a leitura coletiva na esfera domiciliar.