A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 13/01/2021
O conceito de literacia familiar surgiu na Europa renascentista durante o século XVI e se baseia no hábito da leitura dentro do vínculo parental. Entretanto, essa realidade não é notoriamente aplicada no Brasil por conta de dois fatores principais: a ineficiência estatal e o legado histórico. Sob essa ótica, diante da importância dessa prática para o desenvolvimento social e cognitivo das novas gerações, o problema é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.
Nesse viés, o Estado é ineficiente, por não gerenciar recursos suficientes para que toda a população tenha acesso às instruções de literacia familiar da Política Nacional de Alfabetização (PNA). Essa lógica é compreendida uma vez que a internet, ferramenta de alcance a ela, não é de domínio geral, o que é confirmado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ao afirmar que 40% da população não possui acesso estável ao meio virtual. Em vista disso, essa parcela populacional fica excluída do aporte estatal para a leitura. Posto isso, o papel cativante do regime na efetivação da proposta torna-se frágil e o seu importante papel cognitivo de preparar a criança para os primeiros anos escolares e de fortalecer os vínculos familiares torna-se periférico. Logo, deve-se intervir no problema.
Além disso, o legado histórico é um fator colaborativo para que a importância da literacia familiar não seja considerada prioridade por muitos. Isso se dá porque o Brasil se desenvolveu como uma colônia de exploração, de modo que o hábito de ler foi aplicado majoritariamente para a elite e, atualmente, como resultado, mais da população não tem essa cultura, de acordo com o G1. Desse modo, é possível analisar o atraso em sua aplicabilidade até os dias atuais, pois a população pouco conhece os benefícios dessa prática. Posto isso, a sua importãncia no processo de leitura, entre pais e filhos, não é reconhecido na sociedade, o que é causado pela pouca ação estatal em fomentar a mobilização das famílias sobre seu papel. Assim, reafirmam-se os resultados históricos como parte da problemática.
Portanto, é crucial que medidas sejam tomadas para facilitar a leitura familiar. Em suma, o Governo, mais especificamente o Ministério da Educação, deve orientar recursos financeiros à contratação de novos funcionários, por meio de concursos públicos, para que se possa ampliar a medida em destaque. Dessa forma, deverão ser criados pacotes de internet para a população que não possui acesso a tal, de forma que possam seguir as intruções virtuais do PNA e, também, deve-se criar um conjunto de minicursos, ministrados por especialistas contratados, destinados aos pais de crianças em fase de letramento, lhes ensinando formas de efetivar a leitura familiar no âmbito doméstico. Nesse plano, busca-se garantir a superação da ineficiência estatal e do legado histórico.