A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 13/01/2021
No livro “Fahrenheit 451”, do escritor norte-americano Ray Bradbury, é retratado um futuro distópico no qual Guy Montag, personagem principal, é um bombeiro cuja função é queimar todos os livros. Nesse mundo, o pensamento crítico é suprimido e a sociedade se torna alienada e incapaz de promover transformações sociais, sendo assim, facilmente manipulada pelos governantes. Tendo isso em mente, é notória a importância da literacia, sobretudo na esfera familiar, para a formação de uma população bem informada, mas existem empecilhos para consolidação dessa forma de ensino. Por isso, é necessário a intervenção do Governo Federal para resolver esse impasse no Brasil.
A princípio, é válido ressaltar a importância da literacia familiar para o desenvolvimento do senso crítico, visto que ela capacita os jovens a fazerem melhores escolhas de líderes políticos e os auxíliam a se inserirem no mercado competitivo de trabalho. Essa questão pode ser relacionada ao conceito de “Esclarecimento”, que foi proposto pelo filósofo alemão Immanuel Kant e afirma que, para ocorrer uma passagem da minoridade para a maioridade, os indivíduos devem desenvolver o pensamento autônomo, o que os possibilita fazer um melhor uso público da razão. Tal processo pode ser efetuado pela inserção da leitura na primeira esfera de socialização, que resulta em um melhor desenvolvimento do país, com as melhores decisões políticas e individual, com maior qualificação profissional.
Entretanto, a negligência dos pais quanto ao seu papel na introdução da literacia na infância de seus filhos, devido ao pensamento de que essa função é unicamente da escola, constitui um grave problema para a passagem do jovem pela maioridade proposta por Kant. Isso vai de encontro ao pensamento contido no livro “Pedagogia do Oprimido”, do filósofo brasileiro Paulo Freire, no qual é retratado, sob um viés marxista, o papel da educação para que uma classe oprimida, sem acesso ao ensino de qualidade, supere a opressão realizada pela elite intelectual, classe opressora. Dessa forma, ocorre a perpetuação do ciclo da pobreza, pois os grupos econômicos menos favorecidos enfrentam grandes dificuldades para ascenderem socialmente e continuarão sem ter acesso à educação.
Tendo em vista os fatos mencionados e os argumentos analisados, é notória a nescessidade de aumentar a literacia familiar, tendo em vista sua capacidade de desenvolver o senso crítico e de promover uma ascenção social dos mais pobres. Para isso, urge que o Ministério da Educação, por meio da utilização de verbas governamentais, promova campanhas publicitárias que visem orientar os pais ou responsáveis acerca de seu papel na introdução da literatura na vida das crianças, visto que a família é a primeira esfera de socialização. Somente assim, será possível levar os jovens ao estado de maioridade mais facilmente e, consequentemente, subverter o ciclo da probleza existente no país.