A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Em sua obra “Como As Democracias Morrem”, os escritores Levistky e Zublat discorrem que, embora um país apresente um conjunto consistente de leis, um compromisso débil em aplicá-las configura-se como uma afronta à democracia. Diante disso, percebe-se que, apesar da educação ser um direito constitucionalmente garantido mediante o artigo 6°, a importância da literacia familiar no Brasil não é reconhecida. Esse panorama se deve à inatividade governamental, a qual gera marginalização social.

Mormente, é importante ressaltar que a inação pública atua como um forte empecilho para o progresso. Isso porque, em consonância ao termo “cidadania de papel”, proposto pelo célebre escritor Gilberto Dimenstein, o Estado não cumpre o seu dever de efetivar o estatuto supracitado – tornando-o uma mera representação no papel. Com isso, faltam políticas educativas que incentivem a leitura desde a mais tenra idade, haja vista o hábito de leitura no âmbito familiar ainda não foi consolidado. Destarte, esse cenário nefasto, além de validar a tese de Levistky e de Zublat, tece uma sociedade de cidadãos de papéis, ou seja, de indivíduos - mais precisamente, crianças - que não possuem seus direitos naturais respeitados.

Outrossim, cabe destacar que a lacuna estatal apresentada fomenta um quadro de abandono à população pobre. Sob essa lógica, conceitua-se a vertente sociológica de Jessé Souza, que disserta acerca da condição de precariedade vivida nas sociedades periféricas, as quais são tratadas de forma desvalorizada. De acordo com esse viés, há uma clara similaridade com a atualidade, uma vez que livrarias ainda são elitizadas e a ausência de recursos financeiros impossibilita às famílias de baixa renda de adquirir a prática da literacia. Nesse sentido, ao se ressaltar que as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – apontam que metade dos brasileiros sobrevive com uma renda de 438 reais mensais, evidencia-se a falta de recursos financeiros das famílias brasileiras de adquirir literaturas. Desse modo, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Portanto, faz-se imperativo que esses entraves sejam solucionados. Logo, urge que o Ministério da Educação - MEC - dissemine a importância da leitura aos pais dos estudantes, por meio de oficinas de letras, ministradas por renomados escritores brasileiros. Esses autores devem interagir com as figuras parentais, por intermédio de perguntas feitas em mesas-redondas, a fim de que a mudança de mentalidade ocorra nos lares e que seja criado um costume literário. Ademais, a prática deve ser democratizada, através de uma parceria público-privada entre o MEC e livrarias, que ocorrerá pelo aluguel de livros por um preço simbólico aos alunos da rede pública, para que maximize o acesso a todos. Somente assim, a Carta Magna tornar-se-á ativa e a democracia permanecerá viva.