A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Barão de Itararé, um dos criadores do jornalismo alterativo durante a Ditadura no país, estava certo ao dizer: “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, a falta da literacia familiar na sociedade brasileira se apresenta como um dos nós a serem desatados. Dessa maneira, a população carece da prática dos pais lerem para seus filhos, o que causa muitas consequências negativas para o desenvolvimento dos jovens. Com efeito, um caminho possível para o desenlaçe desse grave problema pressupõe a redução da desigualdade social, bem como da alienação parental.

Diante desse cenário, é essencial pontuar a desigualdade social como promotor do impasse. Durante o período da Idade Média, os únicos jovens que tinham acesso a livros e a leitura eram os filhos da alta nobresa. Logo, vê-se que esse quadro se estende até os dias atuais, pois não é viável que uma sociedade marcada pela fome tenha acesso a leitura. Assim, os jovens que não vivenciam o ato de leitura com seus pais apresentam mais dificuldade no processo de aprendizagem e na criatividade ao longo de seu desenvolvimento. Em suma, é inadmissível que a literacia familiar seja um desafio no Brasil atualmente.

Ademais, é imperativo ressaltar a alienação parental como impulsionador do empecilho. Assim sendo, o escritor realista Eça de Queirós, em sua obra “O Primo Basílio”, critica a instituição familiar  revelando suas crises e a perda de sua função social. Desse modo, não é possível que um ambiente de agressão contra a mulher, falta de respeito e de afeto possibilite o ato dos pais lerem para os filhos. Em síntese, é evidente que a falta de literacia nas famílias brasileiras é um obstáculo que causa uma desordem social e precisa ser resolvida urgentemente.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para que a probletática cesse. Dessarte, com o intúito de mitigar a exclusão devido a desigualdade social, o Ministério da Educação deve facilitar o acesso de pessoas carentes aos livros, por meio da instalação de bibliotecas públicas nos setores mais pobres da sociedade. Tal iniciativa fará com que os indivíduos de baixa classe econômica não sofram mais com a escassez de acesso aos materiais didáticos. Além disso, o Estado precisa investir em campanhas publicitárias, por intermédio da -mídia, rádio, televisão e internet-, a fim de que os pais e responsáveis tomem ciência do quão importante é a leitura para a formação dos jovens e começem a aplicá-la. Só assim, a falta de literacia familiar no Brasil deixará de ser um dos nós a serem desatados, como descrito por Barão de Itararé.