A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Em um contexto pós-revolução industrial, inúmeras foram as transformações, sobretudo no ramo da tecnologia, na vida do homem. Nesse viés, as crianças da era contemporânea já nasceram em meio a diversas inovações tecnológicas e, com isso, tendem a negligenciar costumes importantes como a leitura, por exemplo. Dessa forma, a falta de literacia familiar configura-se como uma problemática a ser combatida, seja pelos hábitos intrínsecos à sociedade, seja pela falta de interesse dos pais.

Em primeira análise, o excesso de exposição aos meios tecnológicos, como televisão e vídeo game, pode causar alienação aos jovens e criar um obstáculo à prática da leitura. Isso ocorre porque, na contemporaneidade, há maior valorização e estímulo ao consumo de inovações tecnológicas - devido à lógica capitalista - em detrimento de livros. Esse cenário se agrava ao constatar que as crianças são mais fáceis de manipular, já que são incapazes de pensar criticamente de forma autônoma, o que Kant define como “menoridade intelectual”. Diante desse panorama, torna-se explícita a importância da intervenção e participação ativa dos pais nesse processo.

Além disso, em contrapartida aos pais que atuam ativamente no dia a dia das crianças, há aqueles que são desinteressados ou delegam a responsabilidade para outra pessoa ou instituição de ensino. Esse contexto é decorrente da crença na qual a escola que deve ser totalmente responsável pelo desenvolvimento do aluno, no entanto, uma vez que a criança já tenha bons hábitos de leitura com os pais em casa, o aprendizado dela na sala de aula será potencializado. Essa relação de complementariedade entre família e escola corrobora o conceito de “corpo biológico” de Durkheim ao afirmar que, analogamente ao corpo humano, a sociedade também é composta por partes que interagem entre si. Essa similaridade pode ser constatada ao perceber a importância da ação conjunta dos familiares com a escola na implementação da leitura como prática diária das crianças.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de efetivar o hábito da literacia familiar. Para isso, cabe ao Governo Federal - por meio do Ministério da Educação em associação com as Secretarias Estaduais de Educação - a realização de palestras nas escolas com pais, professores e psicólogos explicando a importância do costume da leitura e do acompanhamento diários das atividades das crianças por parte dos pais a fim de, com isso, tornar a educação mais eficaz e completa. Ademais, o Ministério das Comunicações deve veicular propagandas educativas - focadas no público infantil - em canais abertos de televisão que incentivem o hábito de leitura nas crianças. Assim, será possível combater os malefícios advindos da revolução industrial e potencializar práticas saudáveis e educativas na sociedade.