A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 15/01/2021
O renomado professor Émile Durkheim, um dos fundadores da Sociologia, compara a sociedade a um organismo vivo ao afirmar que cada parte, ao exercer sua função, coopera para o bom funcionamento do todo. Diante disso, observa-se, na realidade atual, que a negligência do Poder Executivo da nação brasileira quanto à concretização da literacia familiar, ameaça a saúde do corpo social da nação brasileira. Nessa perspectiva, faz-se imperosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro deletério.
A princípio, é fundamental pontuar a falha efetivação dos direitos contitucionais como impulsionador do problema. Nesse sentido, evidencia-se uma desigualdade socioeconômica que impossibilita o acesso à tecnologia e, por consequência, impede a adaptação, familiarização e a introdução à programas que apresentam alternativas acessíveis e práticas às famílias, a fim de que estas contribuam, de maneira mais produtiva, na formação de suas crianças. O Estado, portanto, não cumpre sua função de garantir que todos desfrutem de direitos imprescindíveis, como o acesso à tecnologia e formação de qualidade, assegurados pela Carta Magna do país, e compromete, assim, o bem-estar social. Logo, a solução do empecilho é retardada.
Ademais, vale descatar a lenta mudança da mentalidade da coletividade como um dos fatores que agravam a carente atuação da família como principal formadora de seus infantes. Nesse contexto, percebe-se que uma parte considerável da população brasileira ainda considera que a educação é um papel exclusivo da escola e, assim como as vizinhas do personagem criado por Lima Barreto, major Quaresma, idealiza a leitura apenas como uma ferramenta de formação acadêmica e não como um meio de promover a curiosidade, potencializar a desenvoltura e enriquecer a linguagem, a imaginação e a criatividade da criança. A educação é, dessa maneira, em concordância com o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, enfatizada apenas como um direito a ser cobrado, e não como uma obrigação a ser cumprida. É inadimissível, pois, que esse cenário continue a perdurar.
Depreendes-se, portanto, que se mantenha um processo de elaboração e efetivação de políticas que estabeleçam um equilíbrio entre todas as áreas da sociedade, a fim de mitigar a vicissitude da literacia familiar. Destarte, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, associado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, promova uma inclusão efetiva e igualitária, com maiores aplicações em regiões mais carentes, para que o acesso aos programas de alfabetização seja uma realidade, e cative a enfatização da literacia como um dever primordial da família. Assim, a saúde do corpo social não será comprometida.