A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 16/01/2021
A Carta Magna de 1988 assegura, no Artigo 205, o direito irrevogável de todo cidadão ao acesso à educação. Contudo, no Brasil hodierno, essa prescrição não é cumprida quando se observa o escasso exercício da literacia familiar, que consiste no hábito de ler, dialogar e interagir com as crianças. Nessa perspectiva, entre os agravantes da problemática, destacam-se a lenta mudança da mentalidade social ante o tema e a negligência do Governo ao agir de modo insuficiente para a dimensão do problema.
Em primeiro plano, é válido ressaltar a morosidade na transformação do comportamento coletivo no que tange ao entrave dos pais não estimularem os filhos a ler, escrever e ouvir histórias. De modo con-trário a essa postura, o ativista indiano Mahatma Gandhi atesta que o povo deve se tornar as mudanças que deseja ver no mundo, ou seja, cabe ao corpo social a tomada de medidas que alterem o cenário de não haver a devida interação familiar, responsável por despertar, nos pueris, características cognitivas como criatividade e sociabilidade. Sob tal ótica, percebe-se que a população ainda não se conscienti-zou a respeito do próprio papel na resolução do óbice dos genitores praticarem com pouca frequênia a literacia. Assim, a letargia dos habitantes contribui para um deterioramento da situação no país, tal como se verifica na dificuldade de leitura dos jovens e na timidez que essa faixa etária apresenta.
Outrossim, a inoperância governamental, principalmente no que diz respeito à execução e à fiscalização das leis que garantem a prática educativa às crianças, colabora para que haja uma intensificação da ausência de narração de histórias dentro dos lares brasileiros. Dessa forma, nota-se que a postulação aristotélica de que a base de uma sociedade é a aplicação da justiça não é obseervada na contemporaneidade, pois o Poder Público, quando não cumpre sua função em relação à oferta de livros para as famílias mais carentes, deixa de solidificar a base coletiva defendida desde a Grécia Antiga. Logo, a inação das autoridades é um fator que agrava o quadro no país, já que aqueles que têm uma infância mais carente enfrentam, no futuro, maiores dificuldades em momentos que exigem um vocabulário mais rebuscado ou uma maior interação com outros indivíduos, visto que não foram adequadamente preparados pela família.
Portanto, medidas devem ser tomadas para alavancar a literacia familiar no Brasil. Para isso, urge que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, elabore um projeto educativo sobre a impor-tância do convívio e da comunicação na família que possibilite o conhecimento acerca do assunto. Isso será feito por meio da veiculação de anúncios em redes sociais - como Twitter, Facebook e Instagram - e de propagandas televisivas. A medida supracitada tem o intuito de alcançar o público alvo e, assim, garantir o direito prescrito constitucionalmente.