A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Segundo o educador Paulo Freire, ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Esse pensamento, acerca do que é ensinar, evoca reflexões sobre a importância da literacia familiar para o desenvolvimento infantil. Desse modo, é perceptível que a negligência familiar, bem como o senso comum, configura-se como desafios a serem superados para o garantir o avanço do indivíduo.

Sob esse viés, cabe considerar que os pais são negligentes no que tange à criação de possibilidades para o desenvolver o intelecto da criança. À luz dessa ideia, apesar da família ser considerada a principal responsável no processo de desenvolvimento nos primeiros anos, o que se vê é a falta de interação entre pais/cuidadores e filhos, pois segundo dados da Pesquisa Nacional por amostra de Domicílio Contínua de 2017, existem mais de 11 mil analfabetos no Brasil. Nesse sentido, a negligência dos pais em não desenvolver um conjunto de práticas e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita, como o programa Conta Pra Mim propõem, impede a criança de ser alfabetizada corretamente, gerando futuros analfabetos funcionais. Assim, é visível a necessidade de a família ser um participante ativo no aspecto educacional dos pequenos.

Ademais, a falsa ideia de que a escola é a única responsável pelo desenvolvimento do indivíduo é um empecilho para a efetivação da literacia familiar. A esse respeito, Arthur Shopenhauer diz que os limites no campo de visão de um indivíduo determinam a sua compreensão a respeito do mundo que o cerca. Dessa maneira, ao analisar a sociedade por essa perspectiva, vê-se que a limitação ocorre por causa do senso comum das pessoas em considerar que só a escola, por terem profissionais capacitados, são responsáveis por educar os pequenos, visto que o primeiro contato de uma criança com a língua, automaticamente, é através dos pais. Logo, é necessário sensibilizar as famílias sobre a importância de elas estarem presentes na construção social do indivíduo.

Destarte, infere-se que existem barreiras a serem superadas para a consolidação da literacia na família. Cabe ao Governo, portanto, sensibilizar e incentivar as famílias sobre o assunto (visto que elas não veem o quão é necessária a participação delas nesse processo), por meio de palestras nas comunidades (para poderem ter um contato direto e os pais terem a oportunidade de tirarem dúvidas quanto à necessidade de ser um profissional ou não), para então os pais entenderem que a prática da linguagem, de leitura e de contar histórias não só desenvolve a criança intelectualmente, mas socialmente por desenvolver habilidades de comunicação e criatividade. Assim, promoverá a literacia na família e diminuirá o número de analfabetos funcionais no país.