A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/01/2021

O ato de ler para os filhos tem sua origem na Europa renascentista, a partir da invensão da imprensa por Gutenberg no século XV; desde então, os europeus estão entre os que mais leem livros no por ano no mundo. No Brasil, essa prática, históricamente, não recebe a importância merecida, devido a conflituosa relação entre Estado e educação. Nesse sentido, cabe análise das raízes históricas e das políticas atuais que promovem e desafiam a formação de leitores no ambito parental.

Entre as mais relevantes causas da pouca prática da leitura para crianças no país, destaca-se o modelo de colonização exploratória a nós imposto. Isso fica evidente não só pelo ensino jesuíta elitista, como também pela proibição, durante todo o período colonial, da criação de universidades e imprensa. Essa violação de direitos privou nossos antepassados de conhecimento e, nos dias atuais, figura como legado de muitas famílias brasileiras.

Além disso, a conflituosa gestão do Poder Executivo agrega e, ao mesmo tempo, contraria o progresso e o pleno desenvolvimento da literacia familiar no Brasil. Se por um lado, avanços como o projeto Conta Pra Mim do Ministério da Educação que, apesar das críticas, representa um esforço nesse sentido; por outro, o projeto de lei da reforma tributária do Ministério da Economia que prevê um aumento de 12% para 20% nos tributos sobre livros mitiga qualquer perspectiva de melhora. É, pois, contraditório que, órgãos do mesmo ente federativo tomem medidas tão díspares no que diz respeito ao desenvolvimento das boas práticas de leitura.

Em suma, a conjuntura histórica e atual necessitam de atenção no momento debate público e nas tomadas de decisões. Portanto, o governo federal, como executor e implementador de legislações segundo a necessidade do Estado e do povo, deve aumentar o acesso a livros no ambito familiar. Isso pode ser feito através de projetos de lei que zerem as alíquotas tributárias sobre essas ferramentas. Espera-se, com isso, diminuir os danos históricos que até hoje refletem em nossa sociedade.