A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/01/2021

A contação de mitos, na Antiguidade Clássica, era fundamental para que as crianças conhecessem as narrativas dos deuses, as quais eram transmitidas oralmente pelos familiares. Hodiernamente, no Brasil, o papel da escola na vida dos menores, apesar de fundamental, reduziu o contato com os responsáveis por meio de experiências relacionadas à linguagem, como a contação de histórias. Desse modo, a literacia familiar, que consiste no desenvolvimento de tais práticas no seio doméstico, é fundamental para melhorar o engajamento parental na educação e reduzir o analfabetismo funcional do país.

Sob esse prisma, o filósofo brasileiro Paulo Freire preconizava que a educação não se limita ao âmbito escolar e é a principal forma de superação das opressões sociais do país. Diante disso, a prática da literacia familiar deveria ser valorizada e praticada pelos parentes, com o intuito de melhorar não só o desenvolvimento cognitivo dos menores, mas também o senso crítico diante das mazelas sociais. Porém, é comum que os pais acreditem que os colégios são os únicos espaços educativos, atribuindo, infeliz e erroneamente, a função aos professores.

Outrossim, ao melhorar as habilidades linguísticas dos indivíduos, a literacia familiar torna-se fundamental para o desenvolvimento de competências como interpretação textual e raciocínio lógico. No entanto, como prova de que a prática não tem sido bem realizada, cerca de 38 milhões de brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, são incapazes de compreender textos simples. Com isso, esse dado alarmante revela a falha dos pais na educação dos filhos e do governo, que não fomenta suficientemente as práticas de literacia no seio doméstico.

Diante do exposto, medidas são necessárias para aumentar a valorização da prática. Para tanto, as escolas brasileiras devem incentivar os familiares a praticarem a literacia com os estudantes. Assim, isso pode ser feito por meio de reuniões de pais e mestres que instruam as famílias a, por exemplo, contar histórias, promover brincadeiras educativas e reflexões de cunho crítico, a fim de que as crianças possam ter o lar como ambiente educativo e desenvolver a alfabetização funcional. Por fim, essas iniciativas serão importantes para melhorar a relação das famílias com os menores por meio da linguagem, assim como era feito na Antiguidade Clássica.