A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/01/2021

Na série canadense “Anne with an e”, Anne Shirley é uma garota super criativa, adotada por um casal de irmãos. Ao longo da trama, é retratado que a imaginação fértil de Anne é oriunda de sua imensa paixão pelos livros, a qual nutre desde muito nova. Fora da ficção, esse cenário é o oposto no século XXI, visto que a literacia familiar é um grande impasse no Brasil, devido, não só à extrema desigualdade social, mas também ao desinteresse das crianças pela leitura.

Em primeira análise, é importante destacar que não há como promover o contato com os livros em uma sociedade marcada pela desigualdade. Nesse contexto, a filósofa Simone de Beauvoir desenvolveu um conceito chamado de “Invisibilidade social”, que diz a respeito do processo de marginalização de determinados grupos excluídos. Desse modo, o quadro atual coopera com a invisibilidade denunciada por Beauvoir, visto que 15 pessoas morrem de fome a cada dia no Brasil, de acordo com dados do IBGE. Diante disso, fica impossível promover a literacia familiar, já que nem os direitos básicos, como por exemplo a alimentação, estão assegurados.       Outrossim, é indubitável afirmar que para as crianças desenvolverem um amor pela leitura, isso deve começar em casa. Segundo a escritora Elsa Punset, “se você quer que seus filhos sejam educados e gentis, você deve ser o primeiro”. Ou seja, é de extrema importância que a literacia familiar seja colocada em prática, visto que a criança, através do incentivo dos pais, passe a ter um interesse pelos livros e desenvolva seu caráter e imaginação. Assim, esse cenário contribui para a proximidade familiar.

Portanto, com o intuito de amenizar essa problemática, o estatuto da criança e do adolescente (ECA), deve promover a implementação de campanhas anuais que incentivem a literacia familiar, por meio de palestras nas escolas, que evidenciem a importância da leitura no desenvolvimento infantil, a fim de aumentar os índices de leitores juvenis e capacitá-los, garantindo maiores oportunidades na vida. Por fim, a desigualdade social diminuirá e crianças como Anne, serão mais comuns no Brasil.