A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 16/01/2021
A Constituição Federal de 1988 – norma de hierarquia no sistema jurídico brasileiro – prevê em seu artigo 6º, o direito pleno à Educação, como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a ausência da literacia familiar no Brasil. Desta forma, não apenas a desigualdade social, como também a alienação parental, impedem que a leitura receba a devida importância.
Em primeira análise, deve-se observar a ausência de medidas governamentais para combater esse problema. No século XVI, no período Brasil Colônia de Exploração, apenas a aristocracia - organização composta por nobres – tinha acesso à literatura e à alfabetização de qualidade. Analogamente, é notório as semelhanças no que tange a questão econômica da literacia familiar na contemporaneidade, já que a população pobre ainda é excluída da possibilidade de ler, o que produz a desigualdade social iniciada no século XVI. Enquanto a escassez de recursos se mantiver, o país será impossibilitado de ter uma cultura de leitores.
Ademais, é fundamental apontar a alienação parental como impulsionador do problema. Segundo, Eço de Queiroz, em sua obra “O primo Basílio”, crítica a instituição familiar moderna e revela suas crises e a perda de sua função social. Diante de tal exposto, é possível associar a obra de Eço de Queiroz, com a realidade presente no Brasil, visto que os lares brasileiros exemplificam a falência denunciada pelo escritor, de modo que é inviável ser leitor em um ambiente marcado pela feminicídio, pela falta de afeto, pelo preconceito e ausência parental. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Para isso, urge ao Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional da Educação, juntamente com o Ministério da Cidadania, elaborar projetos que visem a construção de bibliotecas públicas nas cidades brasileiras e o financiamento de auxílios básicos de recursos, a fim de suprir não só à necessidade de recursos básicos à família de baixa renda, como também à viabilização da leitura em todo o Brasil. Paralelamente, é imperativo que o Governo, elabore projetos e palestras para os pais, por intermédio das escolas e órgãos públicos, com a finalidade de apresentar a importância de um ambiente familiar estável para as crianças, assim, debatendo a importância da literacia em âmbito familiar. Consequentemente, colocando em prática o direito que é de todos; a educação.