A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 28/02/2021

A leitura é um mecanismo importante na formação de uma sociedade. É através dela que o ser humano viaja pelo tempo, experimenta situações e forma por meio dela, a sua opinião. Na Idade Média, os livros eram analisados pela Igreja Católica, que julgavam quais livros seriam livres para a sociedade da época e quais iriam entrar na lista de livros proibidos, no Index. Em contexto nacional, é reconhecida a sua notoriedade, no entanto não é valorizada, por conta dos fatores resultantes do processo de globalização, e da ineficácia governamental adicionada à lacuna educacional.

Em primeira análise, a juventude do século XXI, chamada geração Z, está inserida num contexto imediatista em que as situações possuem a necessidade de serem resolvidas no mesmo instante, isso resulta da globalização que com as suas inovações tecnológicas e com o fortalecimento da economia, formou uma sociedade ansiosa e desigual. A família tem um importante papel em inserir o primeiro contato, no entanto, as mais humildes não tem, por muitas vezes, dinheiro para investir nesse hábito. Para Mário Quintana, “O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê”, porém, infelizmente, no país ler é um privilégio não apenas intelectual mas também financeiro, visto que, os preços dos livros são altos e o número de bibliotecas públicas é insuficiente, exigindo um custo de deslocamento.

Em segunda análise, a ineficácia governamental e a lacuna educacional, somadas, corroboram com o atraso da leitura para a sociedade, em sua maioria, a marginalizada. O tema central do Existencialismo, afirma que a existência precede a essência, logo, somos resultados das escolhas feitas e prisioneiros dentro da nossa liberdade. Dessa forma, a falta de incentivo público, infere-se na existência do cidadão brasileiro, uma vez que é por meio da interpretação que a sociedade se transforma, a partir dos questionamentos, e sem isso a essência desenvolvida pe leiga, ignorante e passiva. No livro “Alice no país das Maravilhas”, quando o coelho questiona a personagem perguntanto para onde ela quer ir, e ela não sabe, ele a responde com: “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”, o mesmo ocorre sem conhecimento, fazendo o cidadão aceitar aquilo que lhe é imposto.

Dado o exposto, cabe aos Ministérios da Educação e da Economia, realizar investimentos na construção de bibliotecas públicas contando com a presença de professores, por no mínimo duas vezes na semana, para auxiliar os leitores por meio de sugestões e debates. Ademais, é necessária a criação de um projeto chamado “Ler para todos”, que deverá assegurar R$100,00 mensais para que os membros das classes D e Em invistam nas obras e no aprendizado adquirido por elas. Destarte, espera-se que os cidadãos gozem do seu direito e com isso, usufruam de uma nova realidade, a qual tenha criticidade e conhecimento como modo de melhora.