A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 27/03/2021
A literacia familiar – ato de ler para os filhos - surge na Europa renascentista. Sabe-se que a prática da leitura em família estimula a imaginação e o desempenho sociocultural da criança. Entretanto, é notória a discrepância entre a realidade brasileira e a europeia, já que a desigualdade social e a negligência parental acerca do processo de alfabetização dos filhos impedem que a leitura receba a devida importância na rotina familiar, sobretudo na infância.
Primeiramente, é imperioso pontuar que o hábito da leitura oferece aprimoramento sociocognitivo para a criança, melhorando as suas relações e o desempenho escolar. Todavia, tal prática é escassa no Brasil, visto que, a extrema desigualdade social impossibilita que mais famílias tenham acesso às obras literárias. Sob esse viés, no período de exploração colonial, apenas a aristocracia tinha acesso aos à leitura, cenário que evidencia-se no Brasil contemporâneo, visto que, uma parcela da população ainda é excluída do direito à leitura. Segundo o pensador Antônio Lobo, um povo que lê jamais será um povo escravo. Contudo, ao negar que as famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica tenham acesso à recursos alimentícios, ao saneamento básico e à segurança, torna-se utópico que a literacia familiar seja desenvolvida em tal ambiente, e prolifera os cenários de “escravidão” alertado por Lobo.
Ademais, os pais são os primeiros professores dos filhos e devem participar efetivamente do processo educacional, especialmente, na infância. De acordo com o filósofo iluminista John Locke, os seres humanos nascem como folhas em branco e, durante suas vidas, vão moldando e preenchendo essas folhas a partir de suas experiências. Nesse sentido, é imperioso relacionar a relevância de contar histórias, ler para os filhos e apresentar um conjunto de experiências que possibilitem o desenvolvimento dessa criança tanto no âmbito emocional como em suas relações com a família e com o mundo que a cerca. Além disso, no ano de 2019 o Ministério da Educação (MEC), desenvolveu o “Conta pra Mim”, um programa voltado ao estimulo da leitura familiar no Brasil. Todavia, medidas ainda são necessárias para que o programa atinja a parcela mais leiga da população, e também para incentivar que os pais adotem ao “Conta pra Mim” como um parceiro em suas rotinas familiares.
Portanto, urge ao Ministério da Educação ampliar o programa “Conta pra Mim”, levando KITs de leitura, principalmente, nas regiões periféricas do país. Ainda, o MEC deve incentivar a literacia familiar através de propagandas, anúncios no em plataformas como o Youtube e Instagram, e nas escolas, com distribuição de livros, jogos e audiobooks. Essas medidas ocorrerão por meio de verbas governamentais, com finalidade de promover a leitura e instigar o desenvolvimento dos indivíduos. Para que, a literacia familiar seja uma realidade não apenas dos países europeus, mas, do Brasil.