A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 09/04/2021
“Acredito na resistência do mesmo modo que acredito que não pode haver sombra a menos que também haja luz.” Nesse trecho, escrito por Margaret Atwood em sua obra “O conto da Aia”, nota-se que, perante os problemas existentes, tomar uma postura de enfrentamento demonstra ser algo intrinsecamente natural. Pode-se tomar esse posicionamento resiliente como elemento norteador para as discussões acerca da falta de valorização da literacia familiar no Brasil, já que, diante deste entrave, resistir é fundamental. Nessa perspectiva, é interessante analisar essa questão no país.
Inicialmente, observa-se que o Poder Público apresenta-se inerte ao não combater essa desvalorização. Isso porque existe uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta alertar os responsáveis da criança sobre a importância para o desenvolvimento intelectual desse indíviduo que o hábito da leitura no âmbito familiar exerce, por exemplo, o que compromete a formação de um ser crítico e empático, negligenciando o seu direito à cidadania. Logo, verifica-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda a população, demonstrando, desse modo, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.
Além disso, enfatiza-se que essa desvalorização é um reflexo dos estereótipos que existem na sociedade. Sabe-se, pois, que a função social exercida pela escola tem sido marginalizada, o que se explica a partir da crença, transmitida de forma cultural, de cabe a essa toda a obrigatoriedade de se educar um cidadão, desconsiderando, porém, que é também papel da família incitar na criança, por meio da literacia familiar, a construção de um indivíduo plenamente alfabetizado e leitor. Para compreender esse cenário, pode-se tomar como base os estudos do filósofo Friedrich Nietzsche, os quais constatam que a escassez de informações pode causar entendimentos deturpados sobre a realidade.
Ressalta-se, em suma, que a desvalorização da literacia familiar deve ser superada. Portanto, é necessário exigir do governo, mediante debates em audiências públicas, a conscientização dos pais, priorizando projetos educativos, realizados por psicólogos infantis, com o objetivo de explicar a significância da leitura em família para o aprimoramento acadêmico futuro das crianças. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se reconhecer as ideologias preconceituosas existentes acerca do papel da escola na alfabetização das pessoas, potencializando, assim, a desconstrução da visão limitada de que essa responsabilidade não se aplica, também, aos cuidadores legais da criança. Dessa forma, a resistência apresentada por Margaret Atwood não ficaria restrita à obra.