A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 08/04/2021
A literacia familiar consiste em práticas que, em conjunto, favorecem o desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças por meio de estímulos dados pelo seio familiar -referência basilar na primeira infância- ao se envolver com a educação dos descendentes proporcionando momentos de afeto,carinho e diversão. Segundo o Ministério da educação, esses estímulos são interação verbal, narração de histórias, leitura dialogada e motivação. Assim, a literacia social desempenha um importante papel no amadurecimento de habilidades socioeducativas de crianças, no rompimento do chamado ciclo de pobreza e superação das vulnerabilidades sociais.
Com efeito, constata-se, a princípio, que esse conjunto de práticas cotidianas nos lares brasileiros afeta diretamente a vida adulta dos indivíduos. De acordo com estudos do Instituto Geração do Amanhã, os estímulos que ocorrem entre 0 e 6 anos de idades são fundamentais no sucesso profissional e pessoal das crianças. Assim, as progênies que são estimuladas precocemente nos âmbitos cognitivos (como imaginação, mobilidade, comunicação e raciocínio) e emocionais se tornam bem sucedidas como estudantes ,e também profissionais capazes de elevado senso crítico e discernimento. Tal fato acontece, uma vez que sendo os cuidadores os primeiros exemplos sociais de uma criança, a maior convivência entre esses possibilita, por meio de vias de afeto, carinho, respeito e disciplina positiva, a construção de habilidades essenciais na convivência social dos indíduos, como compreensão, tolerância, empatia, autoconfiança.
Sob esse viés, ainda é válido ressaltar a importância da litecracia familiar no rompimento e superação de vulnerabilidades sociais. Nas famílias pobre e de classe média baixa há um grande abismo na leitura e escrita das crianças, tanto na qualidade quanto na quantidade. Isso ocorre em virtude do conetxto social desfavorável que afeta o desenvolvimento linguístico das crianças. Segundo estudos norte-americanos sobre litecracia social, existe uma diferença de cerca de 30 milhões de palavras aprendidas até os 4 anos de idade entre crianças de classe média alta e as de famílias pobres, o que causa um grande impacto formativo na aprendizagem dos filhos, comprometendo a futura alfabetização e pondo em risco a consolidação de um ensino de qualidade.
À luz dessas considerações, é imprenscindível que o Estado proponha medidas que gerem conscientização sobre a importância da litecracia familiar. Assim, urge que esse órgão financeie projetos sociais por meio de verbas destinadas às escolas públicas para que estas, através do diálogo entre docentes e pais, forneçam orientações e materiais gratuitos contendo instruções de como colocar em prática a litecracia familiar, como narração de histórias,interações verbais, brincadeiras e jogos lúcidos.