A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 08/04/2021
No livro “A Menina que Roubava Livros”, Liesel furtava diversas obras e aprendia lições com elas ,a fim de achar formas de se convencer do sentido de sua real existência e de seu papel no mundo,depois de ver seu irmão falecer. Saindo da ficção, nota-se que, assim como Liesel,muitos indivíduos necessitam da prática da leitura na infância,motivada pelo seio familiar. A partir desse viés, é válido analisar a importância da literacia,bem como seus entraves no Brasil.
Primeiramente, é válido afirmar que a literatura é fundamental para a construção intelectual, cultural e formação de cidadãos mais conscientes.Isso acontece porque a literacia é um caminho que leva as crianças desenvolverem a imaginação de forma prazerosa e significativa. Por outro lado, a falta do ato de ler não desperta a curiosidade sobre o mundo e pode, até mesmo,prejudicar o projeto didático-pedagógico nas escolas,uma vez que as habilidades cognitivas não são estimuladas pelas famílias. Tomando como base tal fato, Paulo Freire,em seu livro “Pedagogia do Oprimido”, relata a importância da leitura como compromisso de libertação, a qual busca instaurar a transformação da realidade que mediatiza os indivíduos. Desse modo, tal prática torna-se imprescindível,desde a infância,instaurada pelo ambiente familiar, para que o público infantil possa ter uma postura revolucionária, desde crianças.
Observa-se,ainda,que a mediação do repertório artístico-cultural dos meninos é algo que , muitas vezes, é negligenciado pelos pais. Tal fato pode ocorrer devido à rotina de trabalho, afazeres da casa e a falta de tempo livre , os quais acabam deixando os pequenos a cargo ,unicamente, das mídias e que,muitas vezes, são usadas como pretextos para a leitura não ser estimulada. Em outra perspectiva, a falta de estímulos visuais em livros ,para o público infantil, e de obras clássicas , bem como contos, adaptados, torna a literacia distante do seio familiar. De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal : " A educação é direito de todos e dever do Estado e da família", no entanto, esse fato ainda é ausente em alguns preceitos familiares da sociedade brasileira.
É mister , portanto, afirmar que tal prática deve ser validada. Desse modo, é dever do Ministério da Educação, pela sua capacidade de formação cidadã, em parceria com a família, por intermédio da escolas públicas e privadas, estimular a literatura , desde a infância, com a introdução de obras e contos infantis ,adaptados para os pequenos, com o fito de potencializar a formação de cidadãos mais conscientes e críticos . Além disso, as ONGs, pela relevância de auxiliar com atividades civis , políticas e governamentais, devem distribuir livros infantis,gratuitamente, nas comunidades mais marginalizadas , por meio de políticas de doação e distribuição de obras infanto-juvenis ,com o objetivo de oportunizar a acessibilidade do ato de ler. Dessa forma, nenhuma criança “roubará” livros para se reconhecer.