A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 10/04/2021

Na obra “Pedagogia do oprimido”, o educador brasileiro Paulo Freire afirma que “a educação não deve se limitar apenas ao âmbito escolar, pois ela é a principal forma das opressões socioeconômicas do país”. A partir dessa reflexão, pode-se afirmar que a formação de leitores não deve ser restrita apenas para as instituições escolares, mas também é preciso expandir para o núcleo familiar. Assim, apesar da importância da literacia familiar no desenvolvimento da capacidade de leitura dos indivíduos, tem-se notado entraves para a normalização do estimulo de leitura entre familiares.

Analisa-se, de início, a construção gradativa de elementos técnicos que são beneficiados pela formação de leitores. Dessa maneira, compreende-se o aumento de desempenho acadêmico, que afeta a construção de um senso crítico, como importância para o estímulo a leitura familiar. Com isso, de acordo com a teoria freiriana, a qual sustenta que “formam-se não apenas estudantes, mas, acima de tudo, cidadãos capazes de suprear obstáculos de classe no país”, é imprescindível afirmar que a leitura ainda na juventude não deve ser responsabilidade apenas da escola, mas também daqueles que são da socialização primária, a família, pois essa é responsável pela formação de cidadãos mais complexos e com opiniões mais rebuscadas.

Percebe-se, ainda, a falta de acessibilidade aos livros no Brasil. Isso ocorre porque o Estado brasileiro preza por beneficiar apenas a elite brasileira, pois os produtos de leitura possuem preços mais elevados, o que afeta aquela maioria com baixo poder socioeconômico que não pode usufruir de uma cultura de leitura. Assim, mesmo que seja de interesse dos pais, devido ao alto preço, a compra de livros não se torna uma preferência para eles. Dessa forma, tomando como base o pensamento do filósofo chinês Confúncio, o qual afirma que “se queres conhecer o futuro, estuda o passado”, percebe-se uma tentativa de oprimir esse estudo, afim de que não seja desenvolvido um poder argumentativo perante os jovens, o que dificulta os questionamentos ao governo.

Assim, é fundamental que o Poder Executivo, em específico o Ministério da Educação, incentive a família a ensinar aos jovens o quão importante é a leitura para a formação de cidadãos futuros. Tal iniciativa ocorrerá por meio de um Projeto Nacional, o qual o governo será responsável pela criação de bibliotecas públicas em todas as cidades do Brasil e, com a ajuda da famílias, esses serão responsáveis por fomentar a leitura nas crianças e nos jovens. Isso será feito a fim de desenvolver a capacidade de senso crítico em futuros cidadãos.