A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 09/04/2021
No longa-metragem ¨Matilda¨ - lançado em 1996 - narra-se o cotidiano de uma jovem garota apaixonada pela literatura que, apesar de viver em uma família caracterizada na época como exemplar, a mesma apresentava entraves acerca do processo educacional dos filhos, impossibilitando-os ao acesso de meios de aprendizagem, acreditando que a mídia seria a principal responsável pela educação das suas crianças. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela do século XXI: a extrema desigualdade educativa e a alienação de pais ou responsáveis.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a escassez e a extrema desigualdade social como causa da pouca literacia familiar na pátria. Durante o Período Colonial no Brasil, no século XVI, apenas a aristocracia - nobres da sociedade- possuía o livre acesso à leitura e à alfabetização qualificada. De maneira análoga, observa-se a exclusão dessa aquisição aos cidadãos de classe mais proletária do país, cuja carência de recursos como moradia e alimentação diária inviabiliza a necessidade de qualquer mecanismo de aprendizagem. Diante da contínua marginalização de tal grupo, a problemática persiste na assimetria social de maneira a urgir medidas transformadoras desse óbice apresentado.
Paralelo a isso, é válido destacar a alienação dos pais e responsáveis como empecilho a literacia familiar. De acordo com Talcott Parsons, sociólogo estadunidense, a família - como instituição social mais importante - tem um papel fundamental na formação das crianças. Desse modo, percebe-se a relevância que tal grupo apresenta na subjetividade de um indivíduo na coletividade , porém em algumas associações familiares a inexistência da literacia tem sido ampliada pelo fato da sedimentação na herança ideológica que a escola tem como função o estímulo dos estudantes para a leitura, escrita e a linguagem. Porém, no artigo 55 do Estatuto da Criança e o Adolescente (ECA) evidencia a responsabilidade dos pais na assistência,e educação dos filhos, com contribuição da escola, não impondo-a com total seriedade.
Em suma, é mister que o Estado tome medidas para amenizar o quadro atual. Portanto, cabe ao Ministério da Educação junto com o Poder Executivo, destinar verbas da União e do fundo rotativo, para a implantação de salas com recursos multifuncionais,com o efeito de incentivar a leitura, a escrita e a linguagem dos mais jovens nas escolas,para o acesso das classes baixas do país, além da possibilidade de palestras educativas organizadas pela escola, para os responsáveis afim de conscientizar acerca da importância da literacia para desenvolvimento das crianças. Enfim, a partir dessas ações, haverá um ambiente estável que colabore para a formação cognitiva e intelectual na pátria amada brasileira.