A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 11/04/2021
O escritor brasileiro Monteiro Lobato é reconhecido pelas obras voltadas para o público infantil, em que, ao adotar uma linguagem adaptada e atrativa, tal personalidade buscou incentivar a introdução desse grupo no universo literário. Contudo, é perceptível que esse propósito ainda se encontra afastado do cenário nacional, uma vez que a leitura é uma prática negligenciada pela sociedade, principalmente no âmbito doméstico. Dessa forma, é válido analisar a importância da literacia familiar para a fomação crítica da criança e para superar a falta de participação ativa dos responsáveis no processo educativo.
A priori, é preciso destacar que a prática da leitura no ambiente familiar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e subjetivo das crianças. Nessa lógica, tais benefícios exemplificam as ideias do crítico literário Antônio Candido, o qual afirma que a arte, como as obras literárias, possui um valioso papel educador, já que atua na formação do caráter humano. Sob essa perspectiva, nota-se que, além de ser uma importante aliada do processo de alfabetização, encorajando o contato constante com a linguagem, a atividade leitora durante a infância mostra-se essencial para a formação crítica dos jovens. Nesse sentido, ao permitir o diálogo com diferentes cenários e aspectos da vida em sociedade, a literacia familiar ultrapassa a esfera escolar e passa a interferir na construção individual, pois ela amplia a visão de mundo e estimula a compreensão da diversidade nacional. Dessa maneira, o incentivo a esse hábito apresenta resultados indispensáveis para o cresciemento educacional e social do público infantil.
Ademais, é necessário ressaltar que a literacia familiar representa uma importante alternativa para superar o afastamento dos pais da educação das crianças. Nesse modo, essa problemática está associada às ideias do pedagogo Mário Sergio Cortella, segundo o qual a mídia transformou-se em um novo corpo docente, ou seja, devido à ausência da participação ativa dos responsáveis, o ensino infantil passou a ser terceirizado pelos meios de comunicação. À vista disso, percebe-se que essa realidade é um reflexo da negligência dos indivíduos em relação ao processo formativo durante a infância, em que se ignora a importância do engajamento e do papel da leitura nessa etapa. Nesse contexto, os veículos eletrônicos tornaram-se substitutos do envolvimento familiar, sendo, portanto, a prática literária em família um caminho para alterar esse cenário, visto que esse hábito possibilita, além da intensificação dos laços afeivos, a atuação dos pais na formação da criticidade e das habilidades sociais dos filhos.
Logo, para ampliar a literacia familiar, as escolas devem conscientizar os responsáveis. Isso pode ser feito mediante a criação de projetos que, além de realizarem paletras com profissionais que esclareçam sobre a importância e os caminhos para adotar essa prática, também ofereçam livros infantis e educativos em meios virtuais, a fim de incentivar a leitura e engajar os pais na formação das crianças.