A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/04/2021

No filme “Matilda”, dirigido por Danny DeVito, a protagonista homônima, apesar de ser uma menina prodígio da escola, sofre com a ausência de apoio dos pais com relação a sua educação, sendo constantemente desestimulada a estudar. Fora da ficção, muitas crianças, assim como Matilda, não possuem o devido acompanhamento de seus responsáveis, o que acarreta em sérias consequências por toda a vida. Nesse contexto, a literacia familiar representa uma maneira imprescindível de contribuir no desenvolvimento sociointeracional e acadêmico do indivíduo, embora sua implementação seja dificultada devido à terceirização da educação pela família.

É válido salientar, inicialmente, que um dos fatores que demonstram a importância da literacia familiar é o desenvolvimento das habilidades sociointeracionais e acadêmicas da criança, como a empatia, a generosidade e a maior facilidade no aprendizado. Isso ocorre, pois a literatura e as atividades educacionais permitem ao indivíduo adquirir novas perspectivas de mundo, seja por se colocar no lugar do outro seja por aprender tópicos de uma forma divertida. Esse contexto ainda é intensificado com a participação do núcleo familiar, haja vista essa instituição ser uma das primeiras responsáveis pela socialização do indivíduo, tal como defendido pelo sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo ele, a família se configura como a primeira instituição a preparar o cidadão para viver em sociedade. Dessa forma, a literacia familiar possibilita à criança uma construção mais precoce de um senso crítico e de uma noção de cidadania mais consolidados.

No entanto, a literacia familiar tem sido muito discutida nos últimos anos, sobretudo, devido à intensa terceirização da educação ocorrida atualmente. Vale lembrar que, segundo o jornal Folha de São Paulo, apenas 8% da população brasileira sabe ler e escrever de forma proficiente. Esses dados demonstram que mais de 90% das pessoas não possuem sequer a capacidade cognitiva de ajudar sozinhos seus filhos com atividades educativas em casa. Dessa forma, essa conjuntura contribui para a alta responsabilização das escolas e da mídia pela educação dos pequenos, como é explicado pelo professor brasileiro Mário Sérgio Cortella, que afirma a mudança de papel da mídia na sociedade atual, que tem passado a atuar como um corpo docente.

São necessárias, portanto, medidas que incentivem a literacia familiar em todos os núcleos. Para isso, o Ministério da Educação impulsionará essa iniciativa, por meio de campanhas que divulguem o projeto “Conta Pra Mim” -voltado para orientação dos pais quanto à literacia familiar- nos diferentes veículos midiáticos, principalmente nas redes sociais, por meio de anúncios, a fim de que a população aprenda sobre o assunto, saiba como aplicar em suas residências e colabore no desenvolvimento das crianças.