A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 13/04/2021

O aclamado filme sul-coreano ‘Parasita’ retrata, por meio da familia Park a falha participação dos pais no processo de formação dos filhos, além da terceirização dessa função. De maneira análoga à história fictícia, na atual conjuntura, a importância da literacia no seio familiar encontra-se negligenciada e, por assim ser, perpetua retrocesso no desenvolvimento cognitivo de crianças e jovens. Sob essa ótica, tem-se por fatores substanciais no agravamento da problemática o acesso precoce às novas tecnologias e a falta de instrução dos responsáveis. Logo, faz-se imperiosa a análise desse cenário, a fim de solucionar tais entraves.

Em primeiro plano, torna-se imprescindível elencar o impasse do contato prévio aos meios digitais para com o desenvolver das relações familiares, visto que os jovens tornam-se dependentes dessas ferramentas. Nesse contexto, o educador e filósofo Paulo Freire afirma que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou construção. Dessarte, a familia detém papel primordial na construção do indivíduo, esse que não agrega conhecimento defronte as telas de forma passiva à entrega de conteúdo, necessitando portanto de atividades que estimulem o discernimento intelectual e a criatividade a partir do encorajamento daqueles que o conduzem.

Concomitante a isso, é válido ressaltar que além da idéia errônea de que a escola é a única responsável pela base educacional, os recursos de instrução para os pais acerca da necessidade da literacia familiar em oferta pelo Estado, são fracos. Sob esse viés, Jorge Amado em seu livro “Capitães da Areia” expõe, através do personagem Professor, a importância de uma pessoa bem informada conversar e ler com crianças. Nesse sentido, infere-se à insuficiência de políticas públicas e propaganda a não problematização do tema por parte do poder governamental, e destaca-se a valia da união entre as escolas e famílias em sua cooresponsabilidade na formação do caráter e senso crítico dos jovens.

Conclui-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de mitigar as problemáticas relacionadas à literacia familiar. Para tanto, cabe às Organizações Não Governamentais (ONGs) relacionadas aos perigos da tecnologia na infância, em colaboração com as mídias, informar os pais ou tutores sobre os riscos da inserção precoce no meio cibernético, por meio de propagandas, realizadas durante os horários nobres, com intuito de alertar o maior número de famílias sobre tais riscos. Ademais, urge que o Ministério da Educação, orgão responsável pelas políticas educativas do país, inteire os genitores sobre a importância de uma relação familiar saudável, por intermédio de minicursos ofertados dentro de reuniões escolares, promovendo assim uma familia engajada na formação do indíviduo, rompendo com a realidade posta no filme ‘Parasita’.