A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/04/2021

De acordo com a teoria da tábula rasa, do filósofo John Locke, “o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Com base nisso, pode-se considerar que ao incentivar que a leitura seja iniciada no meio familiar, dado que tal ato proporciona não somente um momento de interação o entre pais e filhos, como também a formação íntegra do indivíduo. Nesse contexto, o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas é favorecido mediante a literacia parental, contudo, a escassez de tempo na vida moderna impede o exercício pleno dessa ação, resultando em um panorama problemático a ser liquidado.

Primitivamente, cabe pontuar que o hábito de ler possibilita o progresso da capacidade comunicativa, a construção do senso crítico e fomenta a atividade racional. Deste modo, é indispensável a participação da família na formação educacional do indivíduo. De encontro a isso, no filme “Mãos Talentosas” o protagonista inicia seu desejo de aprender através do incentivo de sua mãe, que o presenteia com um livro. Assim, como na ficção, uma criança tende a melhorar sua aprendizagem por meio da leitura aliada ao estímulo de seus responsáveis ​​para sua prática.

Em segundo plano, segundo o conceito de ‘’Racionalização do Mundo’’ do sociólogo Max Weber, os aspectos pragmáticos da atualidade, como o trabalho, são valorizados em relação aos elementos não formais do cotidiano. À vista disso, denota-se que essa supervalorização da vida profissional distancia, na maioria das vezes, pais e filhos, reduzindo a execução de práticas conjuntas, a exemplo da literacia. Com efeito, a influência parental no letramento da criança e do adolescente, tal qual abordada no longa-metragem anteriormente citado, não é efetivada e, posto isso, favorece-se, em muitos casos, um atraso na competência alfabética e interpretativa derivado dessa falta de direcionamento dos genitores e parentes a incitação ao consumo de livros a esses indivíduos. Por conseguinte, apreende-se o quanto a participação ativa dos responsáveis na educação é primordial.

Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para motivar a leitura coletiva na esfera familiar. Desse modo, para reverter os impedimentos, urge que o Ministério da Educação elabore e divulgue nas mídias digitais um acerco gratuito de livros, audiolivros e contos, especificamente de pequena extensão e de temáticas diversas e inteligíveis, por meio do vínculo com editoras e do investimento governamental em propagandas online, de modo que os textos se adéquem ao curto tempo disponível no cotidiano e o acesso seja compartilhado e difundido. Desse modo, a literacia familiar irá se expandir cada vez mais tendo em vista que mais responsáveis terão acesso e tempo para garantir uma aprendizagem significativa para as crianças.