A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/04/2021

No clássico infantil da Disney, “A bela e a fera”, a personagem principal Bela sempre teve uma grande influência de seu pai, já que aparece logo de início como uma leitora nata, descobrindo, através dos livros, novos ambientes e épocas. Saindo da ficção e adentrando na realidade, percebe-se que há um paradoxo oculto, uma vez que a literacia familiar ainda não exerce tanta influência na hodiernidade, em virtude da desvalorização do letramento atrelado ao individualismo familiar. Dessa forma, é necessário analisar tais entraves no ápice da contemporaneidade brasileira.

Em primeiro plano, é indiscutível que a desvalorização da literacia é enraizada pelo silenciamento social da problemática. Isso porque alguns pais não imaginam os grandes benefícios que a literacia familiar apresenta, ou seja, não possuem informações consistentes sobre a formação de leitores natos no próprio lar. Diante desse cenário, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas, assim, é evidente que a falta de informação acerca da importância da literacia no âmbito familiar afeta diretamente sua propagação, uma vez que sem conhecimento, a desvalorização se torna um ponto chave nesse debate.

Ademais, é indubitável que o individualismo representa mais um entrave a ser discutido. Nesse sentido, é coerente analisar que alguns pais não reconhecem que a literacia descreve o primeiro contato da criança com o aprendizado (socialização primária) e que deve ser feita no âmbito familiar, deixando toda a carga de ensino para a escola. Sob esse viés, o pai da psicanálise Freud, afirma que a família tem grande importância na formação social da criança, pois reverbera diretamente na obtenção de conhecimento desde cedo, desse modo, passar a carga didática apenas para uma instituição reflete uma atitude individualista, já que a literacia tem uma enorme importância no meio familiar não só com o conhecimento, mais ainda como forma de socialização e aconchego.

Portanto, para que o problema seja minimizado, é preciso que o governo, órgão com poder do Estado, juntamente com o Ministério da Educação, influencie a literacia no âmbito familiar, por meio de palestras obrigatórias para os pais nas escolas, que além de indentificar os benefícios da literacia, auxilie os mesmos com preparações e dicas importantes acerca do conhecimento adquirido em casa, com o auxilio de professores e psicólogos capacitados para lidar com a socialização primária, a fim de que a literacia faça parte das gerações do presente e do futuro.