A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/04/2021
Na série “O começo da vida” lançada em 2016 pela diretora Estela Renner, observa-se os primeiros mil dias de recém-nascidos em vários lugares do mundo. Dessa forma, ela retrata como o ambiente afeta as crianças e como elas afetam o futuro. Sendo assim, é possível relacioná-la com a falta de importância da literacia familiar no Brasil, já que, ambas compreendem o conjunto de práticas e experiências associadas entre os filhos e seus responsáveis. Nesse prisma, é imprescindível analisar essa questão no país.
Antes de tudo, nota-se que o Poder Público mostra-se omisso ao permitir a falta da literacia familiar. Isso porque existe uma ineficiência no processo de conscientização, uma vez que falta estimular o hábito da leitura em família, o que pode desencandear quadros de má desempenho escolar durante a infância e, consequentemente, a aprendizagem ao londo da vida. Sendo assim, vê-se que o governo não vem garantindo o bem-estar de toda a sociedade, ocasionando, dessa maneira, a ruptura do contrato social idealizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.
Além disso, enfatiza-se que aceitar a ausência da literacia familiar é naturalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma inércia diante da assistência educacional, posto que falta auxiliar o engajamento familiar em projetos, como o Conta pra mim, e em atividades que contribuem para a efetivação de relações e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita das crianças, o que prejudica o desenvolvimento cognitivo delas. Todavia, essa banalização pode ser explicada através dos estudos da filósofa Hannah Arendt, já que, devido ao processo de massificação social, as pessoas estão perdendo a capacidade de discernir o certo do errado.
Admita-se, enfim, que a falta da literacia familiar deve ser superada. Logo, é necessário exigir do governo, mediante debates em audiências públicas, a conscientização da população, priorizando o hábito da leitura em família, visando o bom desempenho escolar. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, a partir de campanhas mediáticas produzidas por ONG’s, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante do processo de assistência, desenvolvendo, assim, a mobilização coletiva em prol do engajamento familiar.