A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 12/04/2021

Em “O meu pé de laranja lima”, o autor José Mauro Vasconcelos retrata a criança Zezé, o protagonista, que sempre ao pedir para que os responsáveis para ensiná-lo a tarefa escolar ou ler algum livro escutava uma negação diferente, o que gerou, com o passar do tempo, um forte desinteresse do personagem sobre os estudos, ainda na primeira infância. A realidade de Zezé é reproduzida em diferentes famílias no Brasil, principalmente quando trata-se de um momento de leitura familiar, no caso a falta dele. Diante dessa situação, a literacia familiar é fundamental como mecanismo de manutenção das relações familiares e diminuição da reincidência da evasão escolar.

Em primeira análise, Jonh Locke dizia que o ser humano é como uma folha em branco e que ao longo da vida iremos preenchendo-a. Entretanto, a criança não exerce poder algum sobre as informações que serão inseridas em sua folha em branco, sendo de responsabilidade da família, já que é primeira instituição social que o indivíduo é inserido, a escolha sobre os conhecimentos que irão auxiliar no desenvolvimento pessoal. Por isso, a literacia familiar é uma forma de manter as famílias exercendo essa função primordial, sem deturpação social, e garantindo o amadurecimento saudável do corpo social e estimulando a interação entre os membros.

Além disso, a educação não é de responsabilidade apenas da escola, sendo obrigatória a presença da família, apesar de alguns responsáveis isentarem-se dessa atividade. Segundo Paulo Freire, " se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda", por isso a literacia familiar atua como um meio ativo para a continuidade educacional dos indíviduos, que torna  a leitura um interesse a longo prazo, consequentemente os estudos. Por certo, essa atitude impactará na diminuição  da taxa de evasão escolar, que, no ano de 2020, 1 a cada 5 pessoas não completaram o ensino básico, de acordo com o IBGE.

Em síntese, a literatura familiar não é um escolha isolada e envolve não apenas a família, mas a sociedade brasileira como um todo. Por isso, é imprenscidível que o Governo Federal crie um programa, difundido em canais abertos e nas redes sociais, voltado para os responsáveis e as crianças para o incentivo da normatização dessa prática e a sugestão de outras atividades que complementem a literatura familiar, a fim de tornar a leitura em família um hábito entre os brasileiro. Em paralelo, iniciativas civis devem receber auxílio financeiro do Governo Federal para a manutenção de atividades que multiplicam o relacionamento literário, como brinquedotecas e livro solidário, com a finalidade de garantir a existência desses projetos.