A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 13/04/2021

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” Essa frase do educador Paulo Freire destaca a importância e os reflexos da aprendizagem na vida dos indivíduos, contribuindo para a composição de experiências e formação intelectual. Isso permite uma reflexão sobre a relevância da literacia familiar, que consiste em momentos familiares de estímulos à leitura e à escrita, ressaltando o valor da participação dos pais ou responsáveis no desenvolvimento intelectivo das crianças e também a quebra da percepção de que a escola é a única responsável pela educação. Dessa forma, cabe analisar os principais aspectos que abrangem essa questão no Brasil.

De início, verifica-se que falta aos pais ou responsáveis uma participação mais assídua no incentivo  às práticas de leitura e escrita das crianças. Essa afirmação pode ser associada ao pensamento do filósofo Pitágoras, que diz que é necessário educar as crianças para que não seja necessário punir os adultos, tendo em vista que o processo educacional possui grande relevância para a formação intelectual das crianças e que a participação dos pais contribui de uma forma positiva no desempenho, o que não ocorre se a prática é negligenciada, podendo ocasionar problemas futuros. Sendo assim, é incomum visualizar a presença dos responsáveis em atividades de leiteracia familiar, o que torna explícita a necessidade da divulgação mais acentuada de projetos que incentivem o hábito de leitura em família, como o programa “Conta para Mim”, criado pelo Ministério da Educação (MEC).

Em segunda análise, é necessário destacar que a função de educar não é uma responsabilidade única da escola, sendo, inclusive, uma via de mão dupla, que necessita da colaboração dos pais ou responsáveis para apresentar efeitos significativos. Ainda, destaca-se que atribuir a função educacional como exclusividade das instituições de ensino caracteriza-se como uma banalização do mal, entretanto, parte da sociedade tem demonstrado certa apatia diante dessa realidade. Recorrendo às reflexões da filósofa Hannah Arendt para explanar esse fato, constata-se que, em virtude de uma massificação social, as pessoas vêm perdendo a capacidade de discernir, moralmente, o certo do errado.

Convém, portanto, ressaltar que a falta de literacia familiar no Brasil deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Poder Público, o aprimoramento de projetos que incentivem o hábito de leitura em família, através de uma divulgação mais assídua dos projetos vigentes, utilizando meios digitais, por exemplo, com o objetivo de tornar os programas mais acessíveis.  Além disso, o Estado utilizar os meios de comunicação para buscar conscientizar a população acerca do papel da escola na educação, com o objetivo de tornar evidente que o processo educacional não depende exclusivamente da escola.