A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 13/04/2021
Na obra “Julieta”, da autora Anne Fortier, a personagem Julie aprende, com sua família, quando criança, acerca das peças de Shakespeare, fato que influencia toda sua vida e a faz ensinar a outras crianças sobre o bardo inglês. Fora da ficção, nota-se que a literacia familiar influencia a vida e as escolhas das crianças, assim como no livro, induzindo-as ao desenvolvimento. A partir desse prisma, é válido analisar a responsabilidade dos pais e a importância da literacia na família para a formação do indivíduo.
A princípio, segundo o contratualista John Locke, em sua teoria da tábula rasa, o homem nasce como uma folha em branco e as experiências e aprendizados preencherão esse espaço. Nesse sentido, percebe-se que as crianças nascem sem o entendimento acerca do mundo e têm suas páginas preenchidas segundo o que lhe é apresentado. Desse modo, nota-se que a literacia familiar possui grande participação na formação do cidadão, visto que a família é a primeira instituição formadora e social. Assim, a interação dos pais e responsáveis relacionadas à literatura, linguagem e escrita das crianças tem papel em destaque para a constituição individual. Entretanto, no cenário do Brasil atual, tal prática tem sua importância subestimada, e todo processo educativo e construtivo é deixado para as instituições de ensino.
Além disso, ressalta-se que a literacia familiar é fundamental na constituição do senso crítico e social do cidadão. Segundo o matemático e pensador Pitágoras, é necessário educar as crianças para que, quando adultos, não sofram. Nessa perspectiva, percebe-se que uma educação de base tem consequência direta na construção do indivíduo. Então, o alfabetismo proveniente da família se destaca e torna-se parcela fundamental na construção crítica e social do cidadão, pois possui ligação direta com a vida futura dos jovens e das crianças. Assim, é preciso que as famílias tenham mais acesso à informação e aos meios de disseminação dessa temática, para que seja vigente em seus núcleos.
Nota-se, portanto, que é necessária que a literacia familiar seja mais difundida no Brasil. Para tanto, é necessário que a coordenação de ensino pedagógico dos centros educacionais instruam os pais e responsáveis dos jovens e das crianças acerca da literacia na família, por intermédio de reuniões periódicas e a disponibilização de psicólogos pedagógicos, com o objetivo orientar os núcleos familiares acerca do assunto. Faz-se necessário, ainda, que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia socialmente engajada, difunda os programas sociais que incentivam a participação familiar na alfabetização, por meio de propagandas em horários nobre, a fim de informar a população sobre o tema. Dessa maneira, então, a realidade da personagem Julie poderá ser a de inúmeros brasileiros.