A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 25/04/2021
Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo, expostas no livro intitulado “As contemplações”, está a de que “o progresso da roda constante sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender estas palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o cenário da literacia familiar, vemos a integração do núcleo afetivo como agente formador de caráter e de consciência cidadã. Sendo assim, a conjuntura de historicidade do livro como ferramenta de empoderamento e o caráter formativo que a educação tem na área cognitiva das crianças, acaba por explicitar ainda mais a primazia desta ação. Entretanto, quais engrenagens devem estar ajustadas para que possa-se abranger mais famílias nesse projeto educacional?
Ao longo da história, a humanidade presenciou diversas tentativas de supressão do poder social, a fins de exemplificação, cita-se a queima dos livros na Alemanha Nazista de Adolf Hitler em 1933. Este regime totalitário fundou suas raízes na supressão dos direitos dos cidadãos, e com o episódio citado, buscava distanciar o conhecimento das pessoas para que elas não tivessem voz ativa nas decisões políticas. Não díspar, a desorientação educacional, tem efeitos negativos na vida em sociedade desses pequenos seres, que por não terem uma formação crítica, acabam aceitando o domínio político e sucumbindo ao desmanche dos seus direitos adquiridos.
Ademais, é necessário ressaltar que uma base educacional diversificada, com livros, filmes, jogos, músicas e brincadeiras, potencializa absurdamente a criatividade, a confiança e a comunicação infantil. Como resultado disso, temos um sólido sistema cognitivo, que oferece em níveis sociais, mais integração, conhecimento e progresso. À vista desta temática, é intuitivo observarmos que o ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente- traz em suas diretrizes, o direito dessas populações a uma estrutura familiar que forneça a atenção pedagógica necessária em seu desenvolvimento. Posto isso, é estritamente necessária uma intervenção social de equidade nestas condições instrutivas.
Em virtude dos fatos expostos e em consonância às palavras aqui pautadas, conclui-se que a família desempenha um papel fundamental na formação de indivíduos críticos, empoderados e sociáveis. Assim, para ajustarmos essas “engrenagens”, é primordial que os núcleos familiares e juntamente com as escolas, criem uma parceria pedagógica, em que os profissionais da educação transmitam suas técnicas didáticas aos pais e responsáveis, sendo este intercâmbio de conhecimento feito através de Workshops, com a possibilidade de troca de experiências entre profissionais, tutores e o público infantil. Quando conseguirmos alinhavar o incentivo familiar e a educação, teremos uma sociedade mais responsável e dificilmente ludibriada por regimes totalitários e infundados no conhecimento.