A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 15/10/2021

Ao nascermos nossa mente encontra-se desprovida de ideias, de saberes, de conhecimentos, bem como uma folha em branco, e todo o processo de aprendizado é através da experiência. Assim é definido a tese da tábula rasa do filósofo inglês, John Locke, em seu livro “Ensaio acerca do Entendimento Humano”. Nessa lógica, portanto, é fundamental uma criança ter uma família letrada e presente para ensinar os bons valores, como a literacia familiar, e tutores bem-intencionados e dedicados para ensinar o conhecimento necessário para a vida.

Em primeira análise, muitos pais, por falta de conhecimento educacional, são impedidos de dar maior assistência aos seus filhos. Segundo Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), aproximadamente 12% dos analfabetos funcionais brasileiros têm 40 anos ou mais e 19% têm 60 anos ou mais. Esses dados influenciam diretamente na educação dos mais novos que, por não conseguir ajuda aos mais velhos – seus pais ou responsáveis –, são impossibilitados de pleno desenvolvimento da educação. Desse modo, projetos sociais, como o “Conta Pra Mim” do Ministério da Educação, devem ser mais bem explorados e divulgados para ajudar não apenas as crianças, mas também os adultos influenciando na baixa do Inaf.

Em segunda análise, muitos docentes ao apresentarem obras clássicos sem uma abordagem criativa interrompem o aprendizado de seus alunos, visto que perdem o interesse na leitura. Consoante a Zoara Fairra, do Instituto Pró-livro, as escolas são culpadas pela pouca busca de livros, pois é apresentado aos discentes livros clássicos considerados chatos. Em contraponto, o grande mestre em literatura brasileira, Marcos Bondan, monta suas aulas motivando o aluno aos clássicos apresentando-lhes uma breve resenha da história do livro. Desse modo, é importante que o professor mantenha o equilíbrio ao incentivar a literatura: inicialmente com livros mais fáceis e divertidos e posteriormente com livros clássicos – sempre de forma criativa e didática para instigar o estudante ao mundo dos livros.

Destarte, é fundamental que tanto pais como professores motivem as crianças ao mundo da literatura afim de mitigar os efeitos da falta de literacia familiar. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação ampliar a divulgação do “Conta Pra Mim” e propor mais projetos literários e educacionais que sejam acessíveis tanto em casa quanto na sala de aula, por meio de aplicativos de vídeo e livros com figuras e sons para abordar e incentivar crianças e adultos ao hábito de ler, afim de erradicar os índices do Inaf e a análise de Zoara. Somente assim, a tábula rasa, o imaginário infantil, será preenchido de maneira adequada, com os bons valores.