A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 20/09/2021

O filósofo iluminista Rousseau afirmava que a educação do homem começa desde o momento do seu nascimento e, por isso, é crucial o incentivo parental, principalmente no que se refere à leitura, na formação educacional do indivíduo. Todavia, diferente do pensamento do estudioso, é evidente que a literacia familiar se ausenta na sociedade brasileira hodierna. Nesse sentido, cabe analisar a desigualdade social e a má influência tecnológica como impulsionadores da problemática.

Em primeira análise, o contraste de realidades presente na coletividade auxilia na perpetuação desse impasse. Nesse viés, segundo a ONU - Organização das Nações Unidas -, o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo, ou seja, a distribuição de renda é extremamente desproporcional. Dessa modo, é inegável que a facilidade de adquirir um hábito de leitura não é igualitário, porquanto a parcela menos favorecida passa grande parte de seu tempo trabalhando, a fim de assegurar as necessidades básicas à família e, diante disso, o seu intervalo de lazer, que poderia ser utilizado para incentivar a leitura de seus filhos, é usufruído para o descanso. Com isso, é indubitável que a literacia intrafamiliar não é uma prioridade, contudo, a ausência dessa prática prejudica o desenvolvimento social e a aprendizagem da criança, o que acaba por agravar esse problema.

Ademais, o advento da tecnologia é outra questão a ser analisada. Nessa perspectiva, desde o início da globalização, a expansão da informática ao redor do mundo foi de suma importância para a humanidade. Entretanto, de acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, ela torna-se maléfica quando a intenção é prender, cada vez mais, a atenção do usuário, principalmente das crianças, por meio de algoritmos e influenciadores digitais, pois aumenta a lucratividade das empresas de telecomunicação. Dessa forma, essa conjuntura induz a substituição de outras atividades importantes na formação do cidadão, como a leitura, em razão dessa. Logo, é evidente que a disponibilidade para ler com os familiares torna-se ínfima decorrente dos interesses das grandes firmas tecnológicas.

Portanto, é crucial que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro trágico. Para isso, urge ao Ministério da Educação distribuir livros nas periferias, por meio das escolas e dos professores de literatura - que dialoguem e estimulem as famílias de seus alunos a lerem em conjunto -, a fim de que a literacia familiar seja democratizada e priorizada. Além disso, cabe ao MEC - Ministério da Educação e Cultura -, por meio de empresas de tecnologia, desenvolver um aplicativo que bloqueie o uso de eletrônicos durante 1 hora por dia, para que os alunos utilizem esse intervalo para o seu desenvolvimento educacional. Dessarte, a ideia de Rousseau se perpetuaria completamente no corpo social brasileiro.