A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 04/10/2021

A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura a cultura como direito inerente a toda população. Todavia, ao analisar a questão acerca da literacia familiar, percebe-se que o excesso de trabalho e os altos preços cobrados nas obras literárias prejudicam a garantia desse direito. Esses problemas, cuja causa se relaciona, sobretudo, com a lógica capitalista vigente, gera sérias consequências como a presença de uma desigualdade de acesso à leitura.

Diante desse cenário, faz-se possível relacionar o pensamento do filósofo alemão Karl Marx que afirmava que no capitalismo, o trabalhador é explorado para gerar lucros para uma elite dominante. Nessa perspectiva, infere-se que, em uma sociedade capitalista, a maior parte dos trabalhadores possui uma carga horária exaustiva. Em virtude disso, muitos pais possuem um horário limitado para incentivar e praticar a leitura junto aos filhos. Ademais, cabe ressaltar que os altos preços dos livros dificultam o acesso às obras literárias, fato que prejudica o desenvolvimento de hábitos de leitura nas famílias brasileiras.

Seguindo essa premissa, torna-se imprescindível ressalvar que o excesso de trabalho e os valores elevados dos preços dos livros podem gerar consequências prejudiciais como a desigualdade de acesso às obras literárias. Nesse sentido, é válido citar que famílias privilegiadas economicamente apresentam uma disponibilidade maior de tempo e recursos para desenvolver uma literacia familiar. No entanto, essa não é a realidade de muitas famílias vulneráveis ​​socioeconomicamente, o que gera uma dificuldade de estímular a leitura no âmbito familiar. Devido a isso, na sociedade é aprofundada as desigualdades sociais, o que contribui para a exclusão, de parte da população, ao acesso às fontes de cultura. Assim, além da segregação econômica é desenvolvida uma segregação cultural.

Medidas, portanto, tornam-se necessárias para garantir o acesso à cultura, o que inclui o acesso e desenvolvimento da leitura no meio familiar, como preconiza a Constituição. Dessa forma, o governo federal, com auxílio do Ministério da Educação (MEC), deve promover políticas públicas que visem incentivar a literacia familiar. Para isso, é preciso que os recursos públicos sejam fornecidos para a compra de micro-ônibus que funcionarão como bibliotecas móveis e que distribuirão em todas as cidades brasileiras, principalmente em áreas carentes, livros dos mais variados tipos, desde obras maiores e complexas a livretos de rápida leitura, que permitirão aos pais escolher aquele que melhor se adapta a rotina da família. Com isso, a literacia familiar será incentivada e, progressivamente, a prática da leitura estará presente nas casas de todo Brasil.